Europa ratifica protocolo de Kyoto e isola Bush

Os 15 países da União Européia (UE) ratificaram ontem na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) o Protocolo de Kyoto, marcando de vez o isolamento dos Estados Unidos, contrários a esse acordo multilateral para reduzir as emissões de gases poluentes no meio ambiente e o conseqüente aquecimento do planeta. A representante da UE, Margot Wallstroem, pediu que os americanos reconsiderem sua oposição ao tratado. De acordo com Margot, a contaminação por gases poluentes é a causa decisiva para as mudanças climáticas verificadas na Terra. "É um problema que não respeita nenhuma fronteira nacional." O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que "o clima é um dos maiores desafios que o mundo enfrenta no século 21", ao dar sua aprovação à decisão européia. O protocolo requer que os países industrializados reduzam suas emissões de dióxido de carbono em torno de 5% durante o período de 2008 a 2012, tomando como medida os níveis de 1990. Para alcançar esse objetivo, os países da União Européia devem cortar suas emissões em 8%. Áustria, Grã-Bretanha, Dinamarca, Alemanha e Luxemburgo terão de realizar as maiores reduções. Os Estados Unidos, que produziram sozinhos 36,1% das emissões em 1990, são contra o tratado, alegando que teriam de cortar muitos empregos. Em fevereiro, o presidente americano, George W. Bush, anunciou uma política doméstica para o meio ambiente, com reduções voluntárias de emissões de gases. Mas, segundo a UE, as emissões podem aumentar em 30% até 2010. O ministro do Meio Ambiente da Espanha, Jaume Matas, que ocupa a presidência da UE, insistiu que só funcionarão acordos multilaterais. As ratificações européias entregues à ONU elevaram o número de nações que aprovaram o tratado para 69, satisfazendo uma das condições para que a proposta entre em vigor. Rio +10O protocolo de Kyoto necessita da aprovação de 55 países que somam 55% das emissões de dióxodo de carbono do mundo desenvolvido. Com os membros da UE a bordo, a proporção subiu de 2,4% para 26,6%. Agora a UE insiste para que o Japão e a Rússia sigam o mesmo caminho, antes da conferência sobre o desenvolvimento sustentável, a Rio +10, que ocorre em agosto, em Johannesburgo, na África do Sul. O embate entre países ricos, durante a cúpula, já é realidade na última reunião preparatória, que está sendo realizada em Bali, na Indonésia, e vai até 7 de junho. O encontro tem como finalidade definir a pauta das negociações da Rio +10. A pressão mais forte vem dos Estados Unidos, para que se evite qualquer menção ao Protocolo de Kyoto. A delegação americana também quer aumentar os encargos ambientais de países em desenvolvimento, isentando-se de compromissos assumidos no Rio, em 1992, e pretendendo até reabrir discussões sobre acordos fechados, como a Convenção de Diversidade Biológica. Já os países produtores de petróleo, representados pela Opep, pressionam as outras delegações contra a opção por fontes renováveis de energia. Eles reagiram com veemência contra a proposta brasileira de se chegar a um mínimo de 10% de energias renováveis em cada país.

Agencia Estado,

01 de junho de 2002 | 08h50

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