Giampiero Sposito/Reuters
Giampiero Sposito/Reuters

Evento católico no Rio de Janeiro custará R$ 430 milhões

Jornada Mundial da Juventude será realizada em julho e deve atrair 2 milhões de católicos

Luciana Nunes Leal,

10 Janeiro 2013 | 17h05

RIO DE JANEIRO - O comitê organizador da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) participará, entre os dias 14 e 25 deste mês, de uma série de reuniões no Vaticano para acertar os detalhes da visita do papa Bento XVI ao Rio. O pontífice deverá chegar no dia 24 de julho - e não no dia 25, como previsto inicialmente - e a partida está confirmada para o dia 28, depois da missa campal rezada por Bento XVI em Guaratiba (zona oeste) e do encerramento oficial do encontro, que reunirá pelo menos 2 milhões de católicos. A abertura oficial será no dia 23 de julho, sem a presença do papa.

A realização da Jornada custará R$ 430 milhões. R$ 300 milhões serão obtidos com as inscrições dos peregrinos - que custam entre R$ 100 a R$ 608 - e R$ 130 milhões virão de patrocínios. A cerimônia de acolhida do papa acontecerá na Praia de Copacabana. Um dos pontos a serem discutidos nas reuniões é o local exato da montagem do altar. "O papa será acolhido no dia 25, uma quinta-feira, no fim da tarde, e fará uma saudação aos jovens. Não será uma cerimônia muito longa. É quase certo que ele não chegue na quinta, que chegue um pouco antes", disse um dos vice-presidentes do Comitê Organizador Local (COL), Dom Paulo Cezar, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, que embarca para Roma no próximo domingo. Um grupo de representantes do comitê embarcou na terça-feira passada e já participa de reuniões preparatórias.

Rumor

Apesar dos rumores sobre a saúde frágil de Bento XVI, de 85 anos, Dom Paulo diz que os organizadores não trabalham com a hipótese de o papa não vir ao Rio. O cuidado será apenas de não sobrecarregar o pontífice com muitos compromissos. "Eu diria que é de cem por cento a chance de ele vir. Todas as informações que temos são de que o papa vem ao Brasil. Ele tem uma certa idade, mas tem cumprido as celebrações e a agenda dele com tranquilidade. Claro que, no Rio, não pode ser uma agenda muito pesada, mas ele não precisa de cuidados muito especiais, não", afirmou Dom Paulo.

Além da acolhida e da missa campal, o papa assistirá, no dia 26, à Via Crucis, também na Praia de Copacabana, e, no dia seguinte, participará, à noite, da vigília dos jovens em Guaratiba. No domingo, 28, Bento XVI retornará a Guaratiba entre 9 horas e 9h30 e ficará até por volta de meio-dia.

Reunião

Segundo Dom Paulo, os organizadores da Jornada e da viagem do papa darão continuidade em Roma às reuniões realizadas em outubro, quando uma comitiva do Vaticano esteve no Rio. "Vamos tratar da liturgia, das celebrações, das transmissões dos eventos, da segurança, do papamóvel. A corrida agora é contra o tempo, estamos a menos de 200 dias (do início da JMJ)", afirmou o vice-presidente do COL.

Bento XVI chega ao Brasil no momento em que o País vive queda recorde da população católica, embora ainda seja a religião da maioria. Dados do Censo 2010 divulgados no ano passado mostram que os católicos caíram de 73,6% da população para 64,6%. Pela primeira vez, o número absoluto de católicos caiu: 1,7 milhão de católicos a menos. Em média, 465 fiéis a menos por dia. Em 2010, havia 123,2 milhões de católicos no País; em 2000, eram 124,9 milhões.

Dom Paulo diz que a redução da população católica não pesou na escolha do Brasil e do Rio para sede da JMJ. "A visita do papa não é por causa disso. A Jornada foi anunciada no Brasil bem antes (da divulgação dos números) do Censo. O desafio da Igreja é sempre buscar uma presença maior, mais evangelizadora. Claro que em um país como o nosso, com um mosaico religioso muito grande, com grande número de seitas e igrejas evangélicas, é normal que haja esse trânsito religioso. Mas, se olharmos bem a Igreja Católica, ela está viva, as igrejas estão cheias. Na Espanha, houve como efeito (da Jornada realizada em 2011, em Madri) um grande número de pessoas que sentiram desejo de participar e se inserirem na vida da Igreja. A gente espera que isso aconteça no Brasil, que os católicos se voltem mais e assumam mais a vida na Igreja", diz o bispo auxiliar do Rio.

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