Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Evolução favoreceu aumento da estatura e raciocínio mais rápido

Estudo publicado na 'Nature' mostra que diversidade genética entre os pais resultou, ao longo do tempo, em filhos mais altos e 'espertos'

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2015 | 07h43

SÃO PAULO - A evolução tem deixado os seres humanos com uma estatura maior e um raciocínio mais rápido do que seus ancestrais, de acordo com um novo estudo publicado nesta quinta-feira, 2, na revista Nature. A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, analisou mais de 350 mil indivíduos e revelou que as pessoas são mais altas e têm pensamento mais nítido quando seus pais têm grande diversidade genética - isto é, quando o parentesco entre os pais é muito pequeno.

Segundo os autores, em última instância, todos os seres humanos têm algum grau de parentesco entre si. As novas técnicas genômicas permitem quantificar o grau de parentesco entre os pais de um indivíduo utilizando uma medida conhecida como homozigose genômica ampla.

A equipe, coordenada por Jim Wilson, estudou trechos dos genomas nos quais sequências idênticas de cópias de genes haviam sido herdadas do pai e da mãe. Quando poucas desses casos são detectados nos genes de uma pessoa, isso indica que há grande diversidade genética e, assim, é improvável que os pais tenham algum parentesco distante. Entre os indivíduos com menos diversidade genética, os cientistas buscaram características ligadas à saúde pública.

Os pesquisadores concluíram que a grande proximidade genética entre os pais está associada a uma menor estatura, menor capacidade cognitiva e menos capacidade de atenção nas atividades escolares. De acordo com eles, os filhos de primos de primeiro grau, por exemplo, são em média 1,2 centímetro mais baixos e têm déficit educacional de 10 meses em relação aos filhos de casais com mais diversidade genética.

Segundo os autores, o parentesco próximo entre os pais é há muito tempo associado com doenças genéticas raras - e Charles Darwin foi um dos primeiros a reconhecer que a endogamia reduz a aptidão genética. No entanto, na análise, as únicas características afetadas pela diversidade genética foram a estatura e a capacidade de pensar rápido.

"A descoberta sugere que, ao longo do tempo, a evolução favoreceu, por seleção positiva, que as pessoas aumentassem sua estatura e sua capacidade de pensar com mais nitidez. Mas a baixa diversidade não demonstrou ter impacto na propensão para desenvolver doenças sérias", apontou o artigo.

"A nossa pesquisa destaca o poder das análises genéticas de larga escala para descobrir informações fundamentais sobre nossa história evolutiva", disse Jim Wilson, autor principal do estudo.

De acordo com outro dos autores, Peter Joshi, "a pesquisa responde questões que foram feitas pela primeira vez por Charles Darwin a respeito dos benefícios da diversidade genética". "Nosso próximo passo será estudar partes específicas do genoma que mais se beneficiam dessa diversidade."

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