Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Ex-bichinhos de estimação têm destino incerto

Nas feiras e nos pet shops, um aquário cheio de tartaruguinhas pode ser tão atraente para uma criança quanto um saco de balas coloridas no supermercado. Só há um problema: a doce tartaruguinha, com o tempo, vira um tartarugão que, além de não caber mais no aquário, parece viver para sempre.No final, muitos donos acabam tendo de se livrar dos bichos, mas não sabem como. Os zoológicos, criadouros e centros de recuperação já estão lotados.Na base do Projeto Tamar em Ubatuba, litoral norte, quatro ou cinco pessoas procuram ajuda semanalmente para se desfazer de suas tartarugas. "É pura falta de informação. As pessoas compram o bicho e não têm a mínima idéia de como cuidar dele", diz o biólogo José Henrique Becker. "Recebemos as tartarugas por um tempo, mas não há mais espaço. A coisa parece infinita!"O mais complicado é a tartaruga tigre d?água, aquela com barriga e pernas rajadas de amarelo. Elas podem ser compradas com 5 cm, mas, com o tempo, podem passar dos 30, o que exige muitas trocas de aquário.Não são brinquedosNo caso dos jabutis, mantidos em quintais, muitas pessoas se mudam para apartamentos e não têm onde colocar o animal. Isso quando as crianças não se cansam do réptil e ele acaba virando um elefante branco. "Não é um brinquedo que você tira a pilha e guarda no armário", diz Silvia Pompeu, do Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, em Cotia, que cuida de animais abandonados e apreendidos.O mesmo ocorre com macacos, araras, cobras, lagartos, camundongos, furões e outros bichos estranhos ao lar. Todos parecem interessantes no início, mas são poucas as pessoas com o conhecimento, o espaço e a paciência necessários para cuidar desses animais.No Departamento de Fauna da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, no Parque do Ibirapuera, pessoas e autoridades ligam quase que diariamente para doar ou alocar animais. Nos últimos dois anos, foram mais de 2.200 ligações - a maioria para tartarugas.Com lotação esgotada, a unidade só recebe animais da fauna paulista, quando possível. O Zoológico de São Paulo, também por falta de espaço, não recebe doações desde 2001.AbandonoNo desespero, muitas pessoas simplesmente soltam os animais. No Ibirapuera já foram achados sagüis, macacos-prego, iguanas, furões e coelhos - principalmente depois da Páscoa. "As pessoas ligam muito em véspera de feriado, porque vão viajar e não sabem o que fazer com os bichos", diz a veterinária Vilma Geraldi. "O melhor é não ter esses animais."Para piorar a situação, a grande maioria desses pets são ilegais. Segundo o biólogo Marcus Augusto Buononato, da loja Bioterium, os únicos répteis com criadouros autorizados pelo Ibama são o jabuti, a tartaruga tigre d?água e a jibóia.Mesmo entre essas espécies, entretanto, o tráfico é intenso. A mesma tartaruga que custa R$ 200 numa loja registrada pode ser comprada por R$ 20 na feira.Para Marcus, a solução não é dificultar, mas incentivar o mercado legalizado. "Se as pessoas compram e soltam, é porque são animais ilegais. Ninguém compra um carro com documentação e depois larga na esquina. O animal legal passa a ser um patrimônio."A fotógrafa Iara Morselli tem um par de jabutis fêmeas em casa há mais de 20 anos. "Ganhei de presente e elas acabaram ficando aqui. Não faço nada com elas, mas tenho dó de dar", conta.Quem quiser se desfazer de um animal deve procurar o Ibama (0800-61-8080) ou a Polícia Militar Ambiental (11-3022-4004). Doações não serão processadas criminalmente.

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 11h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.