Ex-dirigente do Ibama nega liberação de mogno

O ex-coordenador Geral de Gestão de Recursos Florestais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Randolf Zachow negou, nesta terça-feira, em Curitiba, ter pedido a liberação de 15 carregamentos de mogno que estão retidos em portos norte-americanos."Em nenhum momento libero, só cito que as exportações foram legais", disse. "Estão dentro da cota, dentro do Plano de Manejo Florestal Sustentado e tiveram os documentos emitidos antes de 22 de outubro". Nesta data foi baixada a Instrução Normativa nº 17, que suspendeu extração, processamento, transporte e comércio do mogno.Em resposta a uma carta do chefe da Divisão de Autoridade de Gerenciamento do governo norte-americano, Peter Thomas, em 25 de abril, em que este perguntava sobre a situação legal dos 15 carregamentos, Zachow diz que a exportação foi permitida liminarmente pela Justiça Federal "depois de analisar os documentos oficiais". Por dever de ofício, segundo ele, o Ibama "deve recorrer para suspender os efeitos da decisão, apesar de que, no recurso do Ibama, não há evidência que confirme a validade ilegal da madeira".Nesta terça-feira, ele reafirmou que, caso não desse resposta positiva aos questionamentos de Thomas, poderia ser interpelado pela Justiça, que se baseou em documentos do próprio Ibama para conceder as liminares. "Como o Ibama não reconheceria seus próprios documentos?", disse.A liberação do mogno, que poderia ocorrer nos Estados Unidos após a resposta de Zachow, foi abortada por nova correspondência enviada pelo presidente do Ibama, Rômulo Mello, em 2 de maio. Mello alegou desconhecer o questionamento feito por Thomas, apesar de o ofício ter sido mandado em 9 de abril, com cópia para seu assessor, Antonio Carlos Lins."É muito estranho que toda a informação que foi apresentada pelo sr. Zachow jamais tenha sido discutida ou obtida desta Presidência ou de qualquer órgão vinculado a este Instituto, portanto só pode expressar a opinião pessoal do referido técnico", diz Mello em seu ofício.Zachow, que foi exonerado do cargo e deve responder a sindicância interna, disse, nesta terça, que uma de suas funções era responder a questionamentos desse tipo e que já o fizera várias vezes sobre variados tipos de madeiras. "Eu recebia várias cartas", justificou. "Eram questões técnicas e não de governo."Mas ele diz que o controle realizado pelo Ibama sobre o mogno existente no País é falho. "O Ibama investe R$ 15 milhões por ano em fiscalização repressiva e apenas R$ 4 milhões em vistoria técnica", criticou. "Faz-se apenas uma vistoria e em época errada, quando deveria ser feita antes, durante e após a exploração."

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 18h27

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