Ex-gerente do Ibama em MT presta depoimento na PF

O ex-gerente executivo do Ibama em Mato Grosso, Hugo José Scheuer Werle, negou sua participação no esquema de corrupção de falsificação de guias de Autorizações de Transporte de Produtos Florestais (ATFPs) no Estado. Ao chegar nesta segunda-feira à superintendência da PF para prestar depoimento em Cuiabá (MT), ele se disse inocente. "Todo o dinheiro que estão falando que eu ganhei ilicitamente foi ganho com muito suor durante os meus 18 anos de trabalho", afirmou. "As investigações estão equivocadas. Será fácil provar a minha inocência".Declarações de renda anexadas ao inquérito mostram que o patrimônio dele aumentou em R$ 426 mil desde que assumiu a gerência do Ibama, em Cuiabá, em janeiro de 2003. Werle, no entanto, declarou à Receita Federal uma renda anual de apenas R$ 79 mil. Para a Polícia, há indícios de que o dinheiro da corrupção não ficava só com ele.De acordo com inquérito, Werle também teria usado o cargo para arrecadar fundos para campanhas políticas. Parte dos recursos teria financiado a campanha de um candidato do PT nas eleições municipais de Cuiabá em 2004. O dinheiro do esquema teria sido usado na campanha de Alexandre César, derrotado nas eleições.César, que é presidente do PT em Mato Grosso, confirmou que recebeu dinheiro de madeireiros para sua campanha eleitoral de 2004, mas frisou que as doações "não tem qualquer ligação com recursos irregulares". Ele explicou que o dinheiro foi contabilizado e declarado na prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). "Nada havia na época da campanha que desabonasse as empresas e pessoas que contribuíram", disse o petista, que perdeu a eleição para Wilson Santos (PSDB), em segundo turno. Ele disse que os recursos doados foram "compatíveis com as atividades e rendas dos doadores", frisou.A Polícia Federal investiga a participação de políticos no esquema de desmatamento em Mato Grosso. Na semana passada, a PF prendeu uma quadrilha que lucrava com a devastação de 43 mil hectares em Mato Grosso. Filiado ao PT, o gerente executivo do Ibama é apontado como um dos chefes da quadrilha. Preventivas - Nesta segunda, a Justiça prorrogou a prisão de 101 suspeitos de participar de um esquema de extração e venda ilegal de madeira no Estado presos desde quinta-feira na operação Curupira. O pedido é para que as prisões temporárias, que duram cinco dias, sejam transformadas em preventivas, que têm duração de 90 dias.O interventor do Ibama, Elielson Ayres de Souza, anunciou uma devassa na gerência do órgão em Cuiabá e suspendeu na última sexta-feira, por 30 dias, a emissão de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATFPs). O documento era usado pela quadrilha para legalizar madeira de terras da União e reservas indígenas.Para o interventor, o sistema de corrupção dentro do Ibama foi facilitado por causa de um programa de computador, criado em 1999. O Sistema de Fluxo de Produtos e Subprodutos da Floresta (Sismad), foi planejado por um dos maiores fraudadores do Ibama no Estado do Pará, o engenheiro florestal Armando Nogueira. "Esse sistema foi implantado justamente para que houvesse essas deficiências para que aproveitadores do sistema pudessem engendrar essas fraudes dentro do Ibama", disse o interventor.Com a intervenção no Ibama, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) teme desemprego e suspensão da atividade madeira em 2 mil madeireiras em todo o Estado. Sem as ATPFs, ainda de acordo com a Fiemt, muitas dessas empresas não terão madeira para trabalhar. "O prejuízo para o Mato Grosso é incalculável", disse o presidente da Fiemt, Nereu Pasini. O interventor do Ibama informou que não haverá prejuízos para o setor madeiro. "Todas as empresas de Mato Grosso estão abastecidas com ATPF para funcionar por 40 dias e não 30", Elielson.

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