Ex-trabalhadores da Shell protestam em simpósio

Cerca de 100 ex-trabalhadores da Shell Química do Brasil, da unidade que operou em Paulínia nas décadas de 70 e 80, promoveram, nesta quinta-feira, um protesto contra a empresa em frente à Praça 500, no encerramento do 1º Simpósio de Exposição Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Municípios Industriais.Os ex-trabalhadores protestaram contra a degradação ambiental e a metodologia usada pela empresa nos exames médicos aos quais estão sendo submetidos para avaliar o nível de contaminação. A Shell é acusada de contaminar o terreno onde opera em Paulínia, no Recanto dos Pássaros, com organoclorados.Segundo Airton de Marco Rasteiro, da comissão de ex-trabalhadores, 400 se cadastraram para fazer o exame. Durante o período em que funcionou, a unidade de Paulínia empregou 846 pessoas. Rasteiro comentou que 10 ex-funcionários fizeram análises paralelas em um conceituado laboratório da região, cujo nome não divulgou.De acordo com essas análises, no caso menos grave o ex-trabalhador apresentou índices de organoclorados no tecido gorduroso quatro vezes maior do que o aceito pela Organização Mundial de Saúde. No mais grave, o índice foi 130 vezes maior. Rasteiro contou que a Shell está fazendo exames sanguíneos, mas os organoclorados são mais facilmente detectados no tecido gorduroso.Os ex-empregados querem que a empresa adote a técnica. De acordo com Rasteiro, as análises da Shell não indicaram contaminação. Durante a manifestação, os participantes gritaram ?O povo na rua, Shell, a culpa é sua?. O protesto saiu do centro de Campinas, seguiu para o de Paulínia e para a Praça 500.Estava prevista a participação de uma comitiva da Vila Carioca, de São Paulo, área também contaminada pela Shell. Algumas pessoas estiveram em Campinas, mas não seguiram com o cortejo, que chegou a Paulínia por volta das 18 horas.

Agencia Estado,

23 de maio de 2002 | 20h09

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