Excesso de peso provoca em jovens doenças de adultos

Um estudo recém-divulgado da ONG Pró-Criança Cardíaca, no Rio, com 600 crianças e adolescentes com idade de 6 a 18 anos - a maioria acima do peso - de todas as classes socioeconômicas, revelou um dos dados mais alarmantes já vistos. Um deles, o de que 41,6% deles tinham colesterol total alto.Outros: 11,16% com triglicérides, 10,16% com LDL (o colesterol ruim) e 5% com glicose acima dos limites tolerados pela medicina. Mais: 2% sofriam de síndrome metabólica, uma espécie de desordem orgânica, quando a pessoa tem cinco fatores de risco ao mesmo tempo."O que me impressiona é que essas doenças são típicas de adulto", conclui a cardiologista Rosa Célia Barbosa, coordenadora do trabalho.Doenças de adulto, com hábitos de adulto também.A cardiologista observou que a maioria deles passava mais de duas horas por dia na frente da televisão ou do computador e não praticava nem o mínimo de tempo de exercícios físicos diários recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o de meia hora. Vale lembrar que nessa meia hora poderia estar incluída até mesmo uma simples caminhadas pelo quarteirão."É muito raro que a combinação vida sedentária e má alimentação não prejudique o coração", explica o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, coordenador do Comitê do Selo Funcor, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. "Essa combinação na criança ou adolescente tem efeito de bomba-relógio."ColesterolEntre os maiores problemas, o colesterol. O ruim (LDL) - quando a proporção da proteína responsável por transportar gordura às células é maior que a própria gordura no sangue - com o tempo deteriora as artérias, acumulando-se nas paredes dos vasos. As conseqüências são doenças de origem circulatória, como o entupimento das artérias, derrame e enfarte."É natural que elas apareçam com o passar do tempo, quando envelhecemos. Mas uma criança com a doença significa que está se expondo muito antes a todos os fatores de risco e muito provavelmente vai enfartar bem jovem", diz Malachias. "O mesmo vale para glicose e triglicérides altos, que irritam os vasos com o tempo."Mais grave ainda é a chamada síndrome metabólica, conjunto de cinco doenças que alteram o metabolismo e, conseqüentemente, afetam o coração - diabete, hipertensão, triglicérides, colesterol e obesidade. Quem sofre da síndrome tem quatro vezes mais chance de morrer do coração. Na pesquisa do Rio, ela apareceu em 2% dos entrevistados.ComidaA alimentação é uma das principais portas de entrada para essas doenças. "A obesidade é o mais importante", diz Rosa, coordenadora do trabalho.A criança até os 12 anos tem um agravante, de sua própria constituição orgânica. Quando ela engorda, as células se multiplicam. Depois dessa idade, quando o organismo engorda, a maioria das células aumenta de tamanho, em vez de se reproduzir. Ou seja, é muito mais difícil combater a obesidade antes dos 12 anos de idade.A dieta ideal deve ter 60% de carboidratos (pães, massas e doces), 25% de gorduras e 15% de proteínas (carne).As fibras, que entram na fatia dos carboidratos, têm papel especialmente importante contra o excesso de peso. Elas diminuem a absorção de gordura pelo tubo digestivo. Ou melhor, elas se fixam na gordura e são facilmente eliminadas.Os antioxidantes, também carboidratos, presentes nas frutas cítricas, evitam a oxidação das artérias - a gordura "prefere" se depositar na parte das artérias que sofreu oxidação.

Agencia Estado,

21 de dezembro de 2005 | 16h59

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