Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

'Excessos nazistas são uma lição sobre o abuso de poder', diz Papa Bento XVI

Pontífice iniciou visita oficial à Alemanha nesta quinta, 22, e fica até o próximo domingo

Ap

22 Setembro 2011 | 16h28

BERLIM - Em visita de Estado à Alemanha, o Papa Bento XVI disse nesta quinta-feira, 22, que os políticos não devem sacrificar a ética pelo poder e que os excessos nazistas em seu país de origem são uma lição da história humana.

Durante discurso para o Parlamento alemão, o Pontífice afirmou aos legisladores que 'nós, alemães, sabemos de nossa própria experiência, o que acontece quando o poder está corrompido'. Ainda assim, segundo Bento XVI, mesmo na ditadura nazista, movimentos de resistência colocam suas crenças em risco, 'prestando um grande serviço à justiça e humanidade como um todo'.

O papa Bento XVI aterrissou nesta quinta-feira, 22, no aeroporto de Berlim para iniciar sua primeira visita de Estado à Alemanha, em viagem que ficará marcada por protestos. O pontífice afirmou que que a pedofilia é um "crime" e afirmou ainda que entende os protestos contra sua visita à Alemanha. Esta é a terceira e a mais desafiadora visita do papa à sua terra natal.

Bento XVI disse que é "lógico que as pessoas se sintam escandalizadas" pelos abusos sexuais por parte de clérigos contra menores, e prometeu que a Igreja trabalhará contra este escândalo. O Pontífice também afirmou que é "normal" que em uma sociedade livre, neste tempo de secularização, haja pessoas que se manifestem contra sua presença.

Abusos. Bento XVI fez um apelo aos católicos alemães para que não deixem a Igreja. No país um número recorde de fiéis vem abandonando a instituição em protesto contra os escândalos de abusos sexuais envolvendo padres.

No voo que o levou de Roma, ele disse aos repórteres que compreendia por que algumas pessoas, especialmente vítimas e seus parentes e amigos, podiam dizer" "esta não é mais minha Igreja". Mas ele fez um apelo aos católicos para que vejam que a Igreja foi feita tanto do bom como do ruim e que está se empenhando para consertar os erros cometidos em seus quadros.

"A Igreja é uma rede do Senhor que pega peixes bons e peixes ruins", disse ele. "Nós temos de aprender a viver com os escândalos e trabalhar contra os escândalos desde o interior da grande rede da Igreja."

A Alemanha foi abalada pelos escândalos de abusos sexuais do clero que despontaram pela Europa há dois anos. No ano passado, 181 mil católicos alemães, um número recorde, deixou oficialmente a Igreja, cifra pela primeira vez mais elevada do que a de protestantes que se desligam de suas igrejas e dos batismos no catolicismo.

 

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