Expedição avalia nascentes do Alto Paraguai

Quarenta especialistas em fauna e flora partiram, hoje, de Cáceres, no Mato Grosso, para 20 dias de coletas e avaliações de fauna, flora e ecossistemas aquáticos, no segundo AquaRAP promovido pela Conservation International (CI), no Brasil. Eles vão percorrer, de barco, o rio Sepotuba, no sudoeste do estado, e inventariar as espécies presentes nas cabeceiras dos rios Jauru, Cabaçal e Paraguai, que correm do Cerrado para o Pantanal. O objetivo principal é conhecer melhor as conexões entre a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, para sugerir políticas de conservação e para ter mais subsídios na implantação de corredores de biodiversidade na região.No primeiro AquaRAP, realizado em setembro de 1998, foram inventariados os ecossistemas aquáticos dos rios Negro, Taquari, Aquidauana e Miranda, no Mato Grosso do Sul. Os 35 pesquisadores participantes, de instituições norte americanas e brasileiras, catalogaram mais de mil espécies de flora e fauna, das quais 40 eram novas para a Ciência. Nos seus 365 mil km2 de extensão, 80% dos quais localizados no Brasil, o Pantanal abriga mais de 3.500 espécies de plantas, 264 peixes, 652 aves, 102 mamíferos, 177 répteis e 40 anfíbios. Tomando por base estes números, as 40 novas espécies identificadas no primeiro AquaRAP significaram um acréscimo de cerca de 15% à lista de espécies até então conhecidas na região. A expedição também catalogou mais de 430 plantas, que não se sabia que ocorriam no Pantanal, além de 4 espécies de macroinvertebrados, 2 crustáceos, 3 peixes e 3 répteis e anfíbios na mesma situação. Os dados da primeira expedição ainda contribuíram para a criação de nove áreas protegidas e deram subsídios ao programa de Corredores de Biodiversidade da CI. Estes corredores são o melhor modo de conservar as espécies e seus habitats e garantir a diversidade genética necessária para assegurar sua sobrevivência a longo prazo, face às alterações ambientais provocadas pelas atividades humanas. Mais do que mecanismos de zoneamento, tratam-se de unidades de planejamento regional, incluindo áreas protegidas (federais, estaduais ou municipais); reservas privadas; áreas prioritárias para incentivos aos proprietários e projetos demonstrativos. Cada corredor tem "núcleos", em torno dos quais o uso das terras é ordenado, de modo a garantir o fluxo das espécies, entre as áreas de uso econômico intensivo.Em português, AquaRAP pode ser traduzido como Programa de Avaliação Rápida dos Ecossistemas Aquáticos. Em inglês RAP quer dizer Rapid Assessment Program. Existem também RAPs marinhos e terrestres, já realizados em 15 localidades de diversos países, sendo que 6 deles deram origem a unidades de conservação. A metodologia foi criada em 1990, pelo prêmio Nobel de Física, Murray Gell-Mann, e pelo ornitólogo norte americano Ted Parker. As expedições seguem um protocolo e parâmetros desenvolvidos e revisados por um comitê internacional, dando origem a resultados rápidos, encaminhados a autoridades, conservacionistas, pesquisadores e agências internacionais de financiamento. Assim, as recomendações de conservação da biodiversidade estudada, sobretudo as mais urgentes, podem ser logo implementadas por organizações governamentais ou não governamentais.Nos AquaRAPs, o foco são os ecossistemas aquáticos e as bacias hidrográficas são consideradas as unidades naturais de conservação. Por isso se faz a avaliação de fauna, flora e Ecologia a partir delas, o que é uma metodologia interessante para regiões que, como a Amazônia e o Pantanal, são regidas pelas águas; ainda tem grandes lacunas de conhecimento científico e cuja destruição poderia significar o desaparecimento de espécies importantes para a Ciência.A Agência Estado vai acompanhar o dia a dia da atual expedição AquaRAP, disponibilizando reportagens e fotos no especial "Nascentes de transição", no portal www.estadao.com.br/ciencia.» Um novo - e deslumbrante - especial

Agencia Estado,

26 de fevereiro de 2002 | 17h13

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