Expedição vai ao encontro da população da Amazônia

O rio Xingu e a tradição de sua população ribeirinha serão o centro das atenções de especialistas de todo o Brasil, entre hoje e 3 de agosto de 2002. A bordo do Catamarã Pará, a expedição "O Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia" navegará de Belém até Altamira, para conhecer, debater e vivenciar a cultura e biodiversidade da região. especial O Imaginário Caboclo, do Portal Estadão.com, acompanhará a viagem, através de depoimentos e notícias, colhidos durante o percurso.O Projeto é uma iniciativa da Universidade Federal do Pará e tem o objetivo de reunir e preservar as várias formas de narrativas orais contadas na região. Criado como um programa de pesquisa, cuja missão era coletar as histórias, lendas e causos das comunidades, o projeto já atinge 45 municípios e conta com um acervo de 5.300 narrativas, recolhidas com a participação de aproximadamente 2 mil informantes.Com o apoio de um número cada vez maior de pesquisadores, professores, alunos e voluntários, o IFNOPAP passou a realizar encontros que, a partir da terceira edição, transformaram-se em expedições. A bordo do Catamarã Pará, especialistas e voluntários de várias partes do país vão buscar essas narrativas nos recônditos onde esse imaginário caboclo é gerado: entre rios e florestas, onde a população permanece quase isolada pela exuberante biodiversidade amazônica, que tornou possível o intercâmbio entre as várias culturas que originaram esse povo.Com 140 participantes, o alvo dos pesquisadores, nesta edição, é o rio Xingu, onde se projeta a construção de Belo Monte, uma mega-hidrelétrica, com a previsão de instalação de 20 turbinas, para a capacidade de geração de 550 mil quilowatts de energia. O desafio da empreitada é identificar manifestações culturais que poderão ser afetadas por uma nova realidade, que certamente trará um grande impacto na região.Saindo do porto de Belém, hoje à noite, a expedição passará pelas cidades de Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e, finalmente, o Campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), situado Altamira, o maior município do planeta, com a impressionante área de 161.455,93 Km2. Entre os viajantes, professores da Universidades de São Paulo, PUC-São Paulo, Federais do Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Alagoas e Brasília, além de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade de Austin, do Texas (EUA).Além dos cientistas, compõem a comitiva estudantes e convidados como os artistas plásticos Jocatos, Antar Rohit e Vivianne Menna Barreto, que promoverão oficinas e exposições durante o trajeto. Dessa convivência entre acadêmicos, artistas e a população local espera-se resultados para todos os lados."Esta é a terceira vez que participo da expedição e posso me considerar um sub-produto do projeto", conta a artista paulista Vivianne Menna Barreto, que leva na bagagem as aquarelas sobre seda, pintadas a partir de suas viagens a Oriximiná e Marajó. "O impacto dessa vivência deu origem ao meu projeto de mapear a cultura cabocla através da pintura, que está se concretizando. Ao mesmo tempo, a chegada de mais de 100 cientistas para conhecer, fotografar e falar com uma população longínqua e mostrar interesse sobre suas histórias, festas e costumes também exerce um grande impacto", diz.Vivianne conta que o círio fluvial de Oriximiná estava minguando, mas depois de visitado pelo projeto em 2000, dobrou a produção das lanterninhas no ano seguinte. "Uma expedição como essa colabora para que quem produz essa cultura, sinta-se valorizado e se reconheça como agente de cidadania, o que incentiva a continuidade das manifestações".

Agencia Estado,

26 de julho de 2002 | 15h16

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