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Expedições vão descrever espécies do Amapá

Um grupo de pesquisadores partiu neste domingo para a primeira de uma série de 15 expedições com o objetivo de catalogar a biodiversidade de algumas das áreas mais inexploradas da Amazônia, no Estado do Amapá. "Algumas dessas áreas nunca foram amostradas. Vamos caminhar por locais onde provavelmente ninguém - ou pouquíssimas pessoas - pisou até hoje", empolga-se Enrico Bernard, biólogo da organização Conservação Internacional (CI) e coordenador das expedições.A lista de bagagem inclui 3 toneladas de carga, entre combustível (mil litros), comida (500 quilos) e equipamentos (1.500 quilos), como redes e armadilhas.O roteiro, distribuído ao longo de dois anos, inclui incursões pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru, com mais de 800 mil hectares, e pelo Parque Nacional Montanhas de Tumucumaque, maior parque de floresta tropical do mundo, com quase 4 milhões de hectares - a maior parte intocada pelo homem, ou pela ciência. Em um dos pontos mais isolados, os pesquisadores terão de ser deixados de helicóptero.Cada expedição deverá durar cerca de 20 dias, durante os quais a única comunicação com o mundo exterior será por meio de um telefone via satélite.Entranhas da florestaA primeira expedição colocará os cientistas nas entranhas da Floresta Nacional do Amapá, a 114 quilômetros da capital Macapá. A viagem levará cerca de dois dias por terra e água.Parte do grupo saiu já na terça-feira para preparar o acampamento, formado por quatro barracões de lona. A equipe toda é composta por sete pesquisadores, sete assistentes, quatro soldados do 3.º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército - incluindo um especialista em comunicação e outro em resgate -, dois analistas ambientais do Ibama e cinco ou seis barqueiros."Expedições desse porte são muito raras hoje em dia", afirma Bernard. "De certa forma, estamos fazendo o que os naturalistas faziam nos séculos passados."Registro em detalhesO objetivo da missão é simples: registrar, no máximo de detalhe possível, todas as espécies que aparecerem pela frente. Muitas também serão capturadas e, depois, levadas de volta a Macapá para as coleções biológicas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa).A equipe científica inclui especialistas em aves, répteis, anfíbios, mamíferos, crustáceos, peixes e plantas superiores.Diante do isolamento das regiões, é quase certo um encontro dos exploradores com espécies ainda desconhecidas. "A expectativa é de que podemos duplicar o conhecimento da biodiversidade em alguns lugares", avalia Bernard, especialista em morcegos.Planos de manejoOs dados coletados, segundo ele, servirão para a elaboração dos planos de manejo das unidades e de políticas públicas de conservação para a região. "Não se pode proteger algo que não se conhece", diz. "Para preservar, é preciso saber o que se está preservando."O projeto, orçado em R$ 700 mil, é uma iniciativa da CI, em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Iepa, o Ibama-Amapá e o Exército Brasileiro.Com uma população de apenas 500 mil habitantes, o Amapá tem cerca de 95% de seu território coberto de vegetação virtualmente intocada, e mais de 55% dela protegida por unidades de conservação (UCs) de diversos tipos. Doze delas formam o Corredor de Biodiversidade do Amapá, um grande mosaico de preservação do tamanho de Portugal, com 10 milhões de hectares.A idéia, também desenvolvida em parceria com a CI, é interligar todas as UCs, de forma que as espécies não fiquem ilhadas.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2004 | 12h36

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