Experiência do LHC depende de rede mundial de computadores

LHC Grid vai dividir em vários centros de computação pelo mundo a análise de sua imensa quantidade de dados

AP

08 de setembro de 2008 | 17h14

Quando cientistas iniciarem o maior experimento da história da física nesta quarta-feira, 10, eles irão enfrentar uma tarefa que faz procurar uma agulha em um palheiro parecer fácil.     Foto: AP   Veja também:  Estudo reafirma que acelerador de partículas LHC é seguro  Cientistas criam rap para explicar o Grande Colisor de Hádrons  Terminam os últimos testes do Grande Colisor de Hádrons  Acelerador de partículas será testado em setembro  LHC não vai destruir a Terra, conclui relatório de segurança  Cientistas querem proibir simulação do 'Big Bang'   Site do Cern  Site do LHC Grid  Animação que explica como o LHC Grid funciona  Vídeo do Cern explica o LHC em três minutos (em inglês)   Galeria com imagens do LHC    Dentro de um túnel de 27 quilômetros abaixo da terra, entre a França e a Suíça, eles esperam poder detectar evidências de outras dimensões, matéria escura invisível e uma partícula ainda desconhecida chamada, na teoria, de bóson de Higgs. O sucesso nesse empreendimento de US$ 10 bilhões revolucionaria nosso conhecimento do universo. É o que explica o Cern nesse vídeo oficial:     Mas nem mesmo toda a potência dos computadores do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) conseguirá processar toda a informação que irá aparecer quando esse acelerador de partículas começar a funcionar.   Então, o laboratório de sede em Genebra concebeu uma maneira de dividir o fardo que será processar toda essa informação entre dúzias de centros de computação por todo o mundo.   O resultado é o LHC Grid, uma rede global de 60 mil computadores que vão analisar o que acontece quando prótons são jogados uns contra os outros dentro do Grande Colisor de Hádrons (LHC).   "Esse é o próximo passo após a web", disse David Colling, cientista do Imperial College Britânico, que está contribuindo para o Grid. "Exceto que, diferentemente da web, você está compartilhando poder de computação, e não arquivos."   Todos esses computadores são necessários para que os cientistas possam achar o que estão procurando dentre montanhas de dados produzidos durante a experiência - quando quatro detectores gigantes, dez vezes mais precisos que quaisquer instrumentos anteriores, começarem a medir a atividade de nível subatômico.   "Você pode pensar em cada experimento como uma câmera digital gigante com cerca de 150 milhões de pixels tirando fotos 600 milhões de vezes por segundo", explica Ian Bird do Cern, que lidera o projeto do Grid.   Filtros sofisticados descartarão toda a informação que não seja interessante, deixando ainda cerca de 15 petabytes (milhões de gigabytes) a serem analisados por ano. Isso seria suficiente para encher dois milhões de DVDs.   Os dados serão enviados via linhas de alta velocidade para 11 instituições de pesquisa na Europa, América do Norte e Ásia, e de lá para uma gama maior de 150 instituições por todo o mundo, onde poderão ser processados por milhares de cientistas.   "O LHC não seria possível sem essa infra-estrutura, é por isso que físicos desenvolveram o Grid", disse Colling.   Construir um novo centro de computadores no Cern teria sido impraticável e muito caro, então cientistas propuseram uma rede que permitisse a utilização dos centros de pesquisa de diversos países.   Desde já, a experiência de colaboração em tamanha rede de computadores se mostrou inestimável, disse Ruth Pordes, diretora do Fermilab em Chicago e uma das maiores colaboradoras para o Grid.   "Estamos fazendo coisas que estão nos limites da ciência", disse. "Mas as tecnologias, os métodos e os resultados serão retomados pela indústria."   Cientistas esperam que o esquema de grid seja mais usado, no futuro, para todos os tipos de pesquisas. Por fim, esse tipo de rede começará a ser usada para ações do dia-a-dia como controle do trânsito, previsão do tempo e outros.   Então, mesmo que o LHC não traga as respostas cósmicas que os cientistas esperam, ele pode um dia ser considerado como um passo na direção do desenvolvimento de uma rede avançada de computadores.   E não seria a primeira vez que isso aconteceria no Cern. Em 1990, um jovem pesquisador britânico criou por lá um sistema baseado em computadores para o compartilhamento de informações com colegas por todo o mundo: o www, ou World Wide Web.

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