Experimento mostra evolução induzida por competição

Segundo biólogos da Universidade de Liverpool, trabalho confirma hipótese dos anos 70 sobre evolução

estadao.com.br,

25 Fevereiro 2010 | 17h05

Observando a evolução de vírus que infectam bactérias ao longo de centenas de gerações, pesquisadores da Universidade de Liverpool descobriram que, se as bactérias conseguiam evoluir novas defesas, a evolução dos vírus acelerava-se e gerava maior diversidade, na comparação com situações onde as bactérias eram incapazes de se adaptar para combater a infecção.

 

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Segundo biólogos da universidade, o estudo, publicado na revista Nature, indica que o biólogo americano Leigh Van Valen estava correto em sua "Hipótese da Rainha Vermelha".

 

A ideia, proposta pela primeira vez nos anos 70, recebeu o nome por conta de um trecho do livro Alice Através do Espelho, de Lewis Carroll, onde a Rainha Vermelha diz que "é preciso correr tudo o que se pode para não sair do lugar". Isso sugeriu o conceito de que as espécies estão numa constante corrida  pela sobrevivência, e precisam evoluir novas defesas o tempo todo.

 

Steve Paterson, da Escola de Biociências da universidade, explica que, no passado, acreditava-se que a maior parte da evolução se dava em resposta à necessidade de adaptação ao ambiente.

 

 A Hipótese da Rainha Vermelha modifica isso, ao indicar que a maior parte da seleção natural acontecerá, na verdade, de interações coevolutivas entre diferentes espécies, e não de interações com o ambiente.

 

"Isso sugere que a mudança evolutiva foi criada por adaptações do tipo 'toma-lá-dá-cá' entre espécies em constante combate". Paterson diz que, embora a teoria seja bem aceita, o novo estudo apresenta a primeira demonstração do princípio num experimento com seres vivos.

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