Exposição mostra trabalho das parteiras do Amapá

Partos humanizados, feitos por parteiras tradicionais, mas com treinamento médico para resolver as emergências perinatais, fazem parte da estratégia do governo do Amapá para desenhar um modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, alternativo ao corte raso de florestas para implantação de grandes fazendas e cidades. Presentes nas comunidades mais distantes e isoladas, onde os médicos são desconhecidos, as parteiras "recicladas" são co-responsáveis pela queda dos índices de cesarianas e mortalidade infantil no estado, hoje entre os mais baixos do país. Ainda são elas que fazem o registro dos recém-nascidos, que ajudam a trazer ao mundo. No interior na Amazônia, filhos de comunidades isoladas costumam ficar muitos anos sem documentos de identidade, porque os cartórios, como os médicos, também não se afastam dos centros urbanos. As parteiras ainda contribuíram com seus conhecimentos tradicionais para a pesquisa com fitoterápicos, contando aos pesquisadores algumas receitas de suas "garrafadas", misturas de ervas medicinais utilizadas nos partos difíceis. Os princípios ativos de várias destas ervas devem render novos medicamentos, ampliando as possibilidades de exploração não madeireira da floresta.Para contar um pouco desta realidade em belas imagens, o fotógrafo italiano Giuseppe Bizzarri passou vários dias nas palafitas de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, acompanhando a parteira Maria de Nazaré Ribeiro, de 56 anos e a parturiente Gesilene Gomes, de 27 anos, até o nascimento do seu quinto filho, Carlos Brito Júnior. O resultado do trabalho estará na exposição "Buchudas, as parteiras do Amapá", no Sesc Pompéia, a partir de amanhã, 14 de março, com entrada franca. Nascido em Roma, na Itália, Bizzarri foi fotógrafo da agência inglesa Camera Press e acompanhou diversos correspondentes estrangeiros na capital italiana, incluindo jornalistas do Estado de S. Paulo. Fez diversos trabalhos para as Nações Unidas e atualmente vive em São Paulo, como correspondente de publicações italianas e freelancer de revistas e jornais brasileiros.Serviço: O Sesc Pompéia fica na rua Clélia, 93, em São Paulo, tel.: (11) 38717700. A exposição está instalada no galpão e pode ser visitada de Terça a Domingo, das 10:00 às 21:00 horas, até dia 7 de abril de 2002.

Agencia Estado,

13 de março de 2002 | 08h54

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