Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Falta de exercícios mata duas vezes mais que obesidade

De acordo com os cientistas, o sedentarismo está associado ao aumento do risco de morte precoce, de doenças cardíacas e câncer

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 03h00

Uma caminhada acelerada de 20 minutos por dia pode ser suficiente para reduzir o risco de morte precoce de um indivíduo, segundo o estudo realizado por cientistas da Universidade de Cambridge. A pesquisa, feita com 334 mil europeus indica que o número de mortes atribuídas à falta de atividade física é o dobro das que são atribuídas à obesidade. Segundo os autores, um aumento modesto da atividade física já pode ter benefícios significativos.

De acordo com os cientistas, a falta de atividade física está associada ao aumento do risco de morte precoce, de doenças cardíacas e câncer. Embora o sedentarismo também contribua com o aumento do índice de massa corporal (IMC) e obesidade, a associação com morte precoce é independente do IMC de cada indivíduo.

Para medir a ligação entre sedentarismo e morte prematura e a interação desses fatores com a obesidade, os pesquisadores analisaram dados de homens e mulheres que participaram do estudo Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição. Ao longo de 12 anos, em média, os cientistas mediram altura, peso, circunferência abdominal dos voluntários e usaram auto-avaliações para medir os níveis de atividade física. Os resultados foram publicados na revista científica American Journal of Clinical Nutrition.

Os cientistas descobriram que a maior redução no risco de morte prematura ocorreu na comparação entre grupos inativos e moderadamente inativos. Foram consideradas tanto a atividade física no trabalho como exercícios recreativos. Pouco mais de 22% dos participantes foram caracterizados como inativos, relatando ocupação sedentária e ausência total de exercícios recreativos. 

Os autores consideraram que fazer exercícios equivalentes a uma simples caminhada acelerada de 20 minutos por dia - queimando entre 90 e 110 quilocalorias - já seria suficiente para enquadrar os participantes no grupo moderadamente inativo. Esse grau de atividade física, segundo o estudo, foi suficiente para reduzir os riscos de morte prematura de 16% a 30%. O impacto foi maior entre indivíduos com peso normal, mas os benefícios foram constatados mesmo entre os que tinham IMC mais alto.

Utilizando os dados mais recentes disponíveis sobre mortes na Europa, os pesquisadores estimaram que 337 mil das 9,2 milhões de mortes entre homens e mulheres europeus podem ser atribuídos à obesidade - condição das pessoas com ICM maior que 30. No entanto, o dobro desse número de mortes, cerca de 676 mil, podem ser atribuídos à falta de atividade física.

Segundo Ulf Ekelund, da Universidade de Cambridge, que coordenou o estudo, a pesquisa traz uma mensagem simples: uma pequena quantidade de atividade física todos os dias pode trazer benefícios substanciais à saúde para pessoas que são fisicamente inativas. "Embora tenhamos constatado que apenas 20 minutos de exercícios já fazem diferença, deveríamos realmente dar mais atenção a isso - a atividade física tem muitos benefícios comprovados e deveria ser uma parte importante da nossa vida diária", declarou.

Nick Wareham, outro autor do artigo, afirmou que as taxas de mortalidade na Europa cairiam 3,6%, se fosse possível eliminar a obesidade, mas cairiam 7,5% se não houvesse mais pessoas sedentárias. No entanto, a luta contra a obesidade também precisa continuar. 

"Ajudar as pessoas a perder peso pode ser um verdadeiro desafio, por isso precisamos continuar a lutar pela redução dos níveis de obesidade na população. Mas, enquanto isso, é preciso também fazer intervenções de saúde pública que estimulem as pessoas a fazer pequenas mudanças em sua atividade física. Uma pequena mudança, mais fácil de atingir e de manter, já traria benefícios consideráveis à saúde", disse Wareham.

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