Falta de radiação sugere que Himalaia parou de acumular gelo

Geleira não apresenta sinais da radiação lançada na atmosfera há 50 anos pelos primeiros testes atômicos

11 de dezembro de 2007 | 18h10

Núcleos de gelo extraídos do topo das geleiras do Himalaia não têm a marca radioativa característica que aparece em virtualmente todos os outros núcleos extraídos das demais geleiras do mundo. Essa radiação, originada nos testes de armas atômicas realizados a céu aberto nos anos 50 e 60, normalmente é usada para medir quanto gelo se acumulou num glaciar.   Em 2006, uma equipe sino-americana extraiu quatro núcleos do topo de uma grande geleira, a Naimona'nyi, a uma altitude de 6 km, no planalto tibetano. Cientistas analisam esses núcleos em busca de indicadores - poeira, oxigênio, partículas - que podem produzir um quadro do passado do clima na região.   Os pesquisadores acreditam que a ausência da radiação que deveria ter sido depositada pelos testes atômicos mostra que a geleira vem encolhendo pelo menos desde o início dos experimentos com armas nucleares, há meio século.   Se a hipótese se confirmar, isso poderá significar um futuro onde as reservas de água doce do Himalaia, que abastecem importantes rios asiáticos, terão desaparecido.   "Há 12 mil quilômetros cúbicos de água doce acumulada nas geleiras do Himalaia", diz o pesquisador Lonnie Thompson, da Universidade Estadual de Ohio. "Essas geleiras liberam água que alimenta rios que sustentam quase meio bilhão de pessoas". A descoberta da ausência de radiação foi apresentada na reunião da União Geofísica dos EUA.   Os sinais da radiação beta - dos isótopos estrôncio 90, césio 136, trítio e cloro 36 - são vestígios da poluição radiativa gerada pelos testes atômicos de meados do século passado. "Em núcleos de gelo extraídos do campo norte do Kilimanjaro em 2000, a poluição radiativa dos anos 50 aparece a apenas 1,8 metro de profundidade", disse Thompson.   "Mas em 2006, a superfície daquele campo havia perdido mais de 2,5 metros de gelo, incluindo o gelo que continha o sinal". Se a perfuração na África tivesse sido feita nos dias atuais, diz ele, a radiação estaria ausente, como está no Himalaia.

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