Falta incentivo à inovação em pequenas empresas

Políticas oficiais de inovação tecnológica não levam em conta a realidade das micro e pequenas empresas brasileiras e suas diferenças regionais. Elas recebem do governo e dos bancos o mesmo tratamento dispensados às médias e grandes empresas, para as quais foram elaboradas as linhas de financiamento.O diagnóstico foi feito pela economista Helena Sastres, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante o simpósio Arranjos Produtivos Locais (APL) e inovação nas micro e pequenas empresas, na 56ª Reunião Anual daSBPC, em Cuiabá.Agentes coletivosPara Helena, que é coordenadora e pesquisadora da Rede de Sistemas Produtivos Locais do Grupo de Inovação do Instituto de Economia (RedeSist), é preciso privilegiar urgentemente os agentes coletivos e que promovam o uso e difusão do conhecimento. Para ela, o conceito de conhecimento envolve o de inovação.?O ideal seria ter uma política de desenvolvimentoinstitucional com os rebatimentos no territóriobrasileiro e para as diferentes APL?, disse ela em sua exposição, na terça-feira.Contribuição menorPara exemplificar, a economista citou um estudo sobre o efeito da globalização na produção da Fiat brasileira.?Antes, a contribuição local de Minas Gerais para a produção era de 80%?, disse. ?Depois que o Brasil se abriu ao mercado global, esse percentual foi reduzido para 20%. Os serviços que agregam maior conhecimento e inovação, como o de design, ficaram preservados na matriz.?Conhecimento lá foraA conclusão dela é que novas cadeias produtivas,quando vêm para o Brasil, deixam a parte que tem maior quantidade de conhecimento lá fora, para preservar o conhecimento tácito que circula nesses ambientes, onde são geradas as inovações produtivas.Ela também questionou o fato de o governo ter priorizado identificar e mapear os APL no País. Embora reconheça o papel de focalizar esses pólos de desenvolvimento locais, ela pede avanços urgentes.

Agencia Estado,

21 de julho de 2004 | 10h38

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