Faltam "verdes" no Congresso

Ambientalistas ouvidos pela Agência Estado vêem o meio ambiente pouco representado no Congresso e listam alguns candidatos com trajetória ambientalista, que acreditam serem indispensáveis para aumentar a visibilidade e a resolução dos problemas relacionados ao temaMário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica: ?Os políticos têm diversas posturas em relação ao meio ambiente. Há aqueles que reagem quando o assunto vira notícia, mas se não está na mídia, não estão nem aí. Os corporativos juntam-se em bancadas, como a ruralista ou a imobiliária, por exemplo. São os piores, pois entram nas comissões e gostam de se mostrar como ambientalistas para seus eleitores, mas sempre jogam contra. Existem também os explicitamente contra o meio ambiente, mas são fáceis de tratar, pois possuem posições claras. O que diferencia o ambientalista é que sua posição é ideológica, tem compromisso com as questões coletivas, os direitos difusos e, o principal, faz política pública. É aquele que discute em fóruns, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e expõe publicamente os problemas. Entre os candidatos paulistas, destacaria o Fábio Feldmann (PSDB), além do Luciano Zica e do Ivan Valente, ambos do PT. Para o Senado, acho que o Aloísio Mercadante (PT-SP) é uma pessoa com quem se conversa. Estou torcendo também para que a Marina Silva (PT-AC) continue no Congresso. Ela é o sonho do eleitor ambientalista e muitos grandões de Brasília devem pensar, no íntimo, que gostariam de ser como ela quando crescerem?.Paulo Nogueira Netto, diretor da Fundação Florestal e conselheiro de diversas Organizações Não-governamentais: ?É extremamente importante para os ambientalistas ter representantes no Congresso. Aqui em São Paulo, estou apoiando o Fábio Feldmann, uma liderança significativa, que se destacou na Constituinte em defesa das causas ambientais. O candidato ao senado José Aníbal (PSDB) também se preocupa com a área ambiental.?Renato Cunha, coordenador do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá): ?A representação verde no Congresso já foi melhor, mas nunca foi grande. Tivemos o Fábio Feldmann e o Fernando Gabeira (PT-RJ), que ainda está lá, que vieram do movimento ambientalista, e alguns que abraçam a causa ambiental em alguns momentos. Em geral, nunca tivemos uma força expressiva. A Frente Verde Parlamentar não representa o pensamento do movimento ambientalista, por isso é importante levar para o Congresso candidatos comprometidos com a causa. Na Bahia, há dois candidatos a deputado federal que vêm do movimento ambientalista, ambos do PV: o Juca Ferreira, vereador em Salvador e da Fundação Onda Azul, e o Edson Duarte, hoje deputado estadual, que luta pelo rio São Francisco na região de Juazeiro. Nacionalmente, seria importante contar com o Fábio Feldmann e com o Fernando Gabeira. O próprio Sarney Filho (PFL-MA) mostrou compromisso com a causa. No Senado, a Marina Silva foi a primeira figura que batalhou essas questões, mas na área de Mata Atlântica não tem ninguém representativo.?Kátia Vasconcellos Monteiro, coordenadora executiva da Amigos da Terra-Brasil: ?No Rio Grande do Sul não temos nenhum candidato da área ambiental, como temos em direitos humanos e educação. Há algumas pessoas que nos apóiam na maior parte das causas, como o senador Pedro Simon (PMDB) e o deputado federal Marcos Rolin (PT). Mas, em geral, quando são projetos como o Código Florestal ou a Lei da Mata Atlântica não conseguem fazer a relação, porque a maior parte é ligada à visão partidária e ideológica, que tem outra idéia de desenvolvimento. Tirando alguns candidatos assumidamente contra questões ambientais, como Francisco Appio (PPB), os políticos do Estado são conscientes e a maior parte não votaria em coisas vergonhosas, como contra o Código Florestal ou a favor de Angra 3.?Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade para a Proteção da Vida Selvagem (SPVS): ?A representatividade ambientalista no Congresso é pífia, não existe este entendimento, pois a pressão é desenvolvimentista. Quem engole os deputados no Paraná, por exemplo, é o setor madeireiro. É só lembrar que temos 0,7% de florestas com araucária no Estado e a posição ferrenha dos deputados é para que se possa continuar cortando. Por isso é difícil indicar nomes do Paraná. Podemos dar um voto de realização para o Luciano Pizzatto (PFL), por ter criado três parques nacionais no Estado, mas não é um candidato verde?.João Paulo Capobianco, coordenador do Instituto Socioambiental: ?Não temos hoje parlamentares trabalhando a questão de modo ativo e adequado na Câmara Federal. Alguns ajudam em hora de crise, mas para manter a agenda não existe ninguém desde que o Fábio Feldmann deixou o Congresso. Quem mais ajudou nos últimos tempos foi o Sarney Filho, como deputado e como ministro do Meio Ambiente, que tem sido fundamental. Outra pessoa essencial é a Marina Silva, que faz uma diferença tremenda no Senado. A perda de deputados como o Feldmann e o Gilney Viana (PT-MT) foi muito grande temos tido muitos problemas no Congresso, como a Lei da Mata Atlântica, a espera de aprovação.?Frank Guggenheim, diretor executivo do Greenpeace: ?O meio ambiente não é prioridade do Congresso e, quando aparece a questão, há discussão e negociação, com resultados às vezes positivos, às vezes não. Quando há um fato relevante, como agora às vésperas da Rio+10, todos ficam mais ambientalistas, por isso aprovaram o Protocolo de Kyoto e a continuidade da moratória do mogno, mas quando estes acontecimentos estão longe, as questões ambientais voltam para segundo plano. Somos uma entidade politicamente neutra, mas enviamos algumas perguntas aos candidatos à presidência que deixaremos disponíveis em nosso site, para que os sócios do Greenpeace tirem suas conclusões.?

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