Familiares invadem hospital de Salvador segurando o caixão com o corpo do jovem morto por erro médico

Deivisson Luís Barbosa Santana, de 23 anos, chegou ao Hospital do Subúrbio (HS) no dia 11, com febre e fortes dores abdominais. Segundo os familiares, era a segunda vez que o jovem tentava atendimento na unidade

Tiago Décimo / O Estado de S. Paulo,

16 Setembro 2012 | 15h02

Deivisson Luís Barbosa Santana, de 23 anos, chegou ao Hospital do Subúrbio (HS), mantido pelo governo baiano, em Salvador, no dia 11, com febre e sentindo fortes dores abdominais. Segundo os familiares, era a segunda vez que o jovem tentava atendimento na unidade - na manhã anterior, depois de esperar por quatro horas, optou por tentar uma consulta em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi instruído a voltar ao HS.

Finalmente atendido por um clínico geral, Santana passou por uma radiografia. De acordo com a direção do hospital, o procedimento foi resultado da queixa do jovem, que teria relatado ter sofrido uma queda no fim de semana anterior. O exame não apontou nada de anormal na região das dores, Santana foi medicado e liberado poucas horas depois. Na madrugada seguinte, porém, o quadro piorou. A febre aumentou e vieram os vômitos.

Santana foi levado ao Hospital Couto Maia, onde foi diagnosticada leptospirose - segundo familiares, contraída dez dias antes, depois de ele ir buscar, em um córrego do bairro periférico de Paripe, onde morava, a bola com a qual jogava com amigos. O jovem foi internado na Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu, morrendo na madrugada de sexta-feira.

A morte revoltou os familiares e amigos de Santana, que, antes do enterro, invadiram o setor de emergência do HS com o caixão do jovem, para protestar contra o que consideraram mau atendimento e negligência dos profissionais da unidade. A manifestação durou cerca de meia hora.

Em nota, a direção da unidade informou que a invasão "colocou em risco a vida de inúmeras pessoas que estavam sendo atendidas naquela unidade, atentou contra a integridade física de trabalhadores no exercício de suas atividades profissionais e depredou o patrimônio público" e que alguns pacientes e acompanhantes que estavam no local tiveram de passar por "atendimento de urgência".

Uma equipe da Polícia Militar foi deslocada para a entrada da unidade, para reforçar a segurança. Os funcionários organizaram, para a manhã de amanhã (segunda-feira), um abraço simbólico ao hospital, contra a invasão.

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), também em nota, classificou o ato como "criminoso" e informou que "encaminhou para as autoridades competentes as imagens registradas por diversos veículos de comunicação, no sentido de que seja feita a identificação dos invasores e que estes sejam responsabilizados legalmente por suas atitudes". O caso está sob investigação da 5ª Delegacia.

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