'Familiaridade' ajuda computador a reconhecer rostos

'Média de imagens' pode ajudar computadores a se acostumar ao rosto de uma pessoa, sugere teste

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

24 de janeiro de 2008 | 17h15

O teste de um software-padrão para reconhecimento automático de rostos mostra que o sistema é mais eficiente - chegando a acertar de 80% a 100% das vezes - quando é alimentado não com uma foto natural da pessoa a ser reconhecida, mas com uma imagem sintetizada a partir de várias fotografias distintas - uma espécie de "média de imagens".   "O processo de tirar a média funciona fundindo diversas fotografias de uma mesma pessoa numa única imagem", explica Rob Jenkins, principal responsável pelo teste, descrito na edição desta semana da revista Science. "É como juntar todo um filme do rosto em único quadro. Usamos computadores para alinhar as características da face em cada foto, para que a imagem não foque borrada."   Para realizar o experimento, Jenkins testou o programa FaceVACS, descrito no artigo da Science como um "padrão da indústria" e já adotado, por exemplo, no Aeroporto de Sydney, Austrália.   A versão testada está implementada online em um website israelense de genealogia, que permite ao usuário enviar uma foto pessoal e descobrir com qual celebridade se parece mais. O teste iniciou-se com o envio de fotos das próprias celebridades que constam do banco de dados do website, e conferindo a taxa de acertos.   Nessa fase, o programa ofereceu resultados correto, em média, 54% das vezes - indo de 16% a 84%, dependendo da celebridade.   Em seguida, os pesquisadores submeteram ao website imagens "médias", criadas a partir da fusão de 20 fotos diferentes de cada celebridade. Esse procedimento elevou a taxa de acerto a 100%. Quando imagens médias foram feitas usando-se apenas fotos que o sistema online havia identificado de forma errada - taxa zero de acertos -, o nível acerto com o uso das fotos médias foi de 80%.   Jenkins sugere que imagens médias poderiam ser adotadas pelas autoridades em documentos como passaportes, para facilitar o reconhecimento de faces por sistemas automáticos. "A comparação seria entre a média e o rosto ao vivo", diz ele. "Dessa forma, a média poderia incorporar imagens feitas ao longo de vários anos".   O pesquisador explica que o teste foi inspirado em desenvolvidos recentes da psicologia, que mostram que seres humanos têm dificuldade em identificar uma pessoa com uma foto, a menos que já tenham alguma familiaridade com o indivíduo a ser identificado. "Nosso estudo mostra que construir a familiaridade dentro de uma máquina pode melhorar a performance dela, também".

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