Famílias lamentam mortes por fumo

Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de mortes entre fumantes no Brasil

Wagner Machado, especial para O Estado de S. Paulo,

04 Fevereiro 2012 | 23h58

Aos 20 anos, Caroline Vanzella nunca experimentou cigarro e, se pudesse, faria com que todos familiares e amigos fossem imunes ao vício em tabaco. A jovem perdeu o avô, Francisco Vanzella Neto, de 81 anos, em decorrência de câncer na garganta, pulmão e enfisema pulmonar.

 

A tristeza da família de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre, soma-se a tantas outras que fazem parte da estatística que aponta o Rio Grande do Sul como o Estado com maior número de mortes entre fumantes no Brasil: 11%.

 

Junto com a mãe, Eloá, de 42 anos, ex-fumante, elas não recordam a primeira vez que viram Neto com um cigarro. "Ele acabava um e já fumava outro. Por dia, consumia pelo menos três maços. Por orientação médica, varias vezes tentou diminuir, mas não adiantou", relata Caroline. "Desde criança, meus outros dois irmãos e eu pedíamos para minha mãe parar de fumar. Após 25 anos, ela conseguiu e meu avô ficou tão contente que lembro exatamente o que disse: ‘Que bom que parou, porque o cigarro não me trouxe benefício’.".

 

A consciência tardia não foi suficiente para salvar Neto. Com dores no tórax e incômodo na garganta, em 2011 perdeu a voz e a capacidade de ingerir alimentos. Os médicos optaram por não operá-lo, pois o câncer já havia se espalhado.

 

Neto teve 15 filhos e muitos ainda fumam. Mas agora a família levanta a bandeira contra o tabaco. "O cigarro tira bem mais do que o olfato e o paladar: deixa marcas em todos", diz Caroline.

 

Morte sofrida. Após cinco meses internado, José Júlio da Silveira morreu aos 58 anos. A causa foi um câncer no pulmão, fruto de quatro décadas de fumo. Sua mulher, Olga Dornelles, diz que o marido, nos últimos meses de vida, em 2009, mal conseguia respirar. "O câncer se alastrou por todo o corpo", conta ela, moradora de Porto Alegre.

 

Avisos sobre os malefícios do tabaco não faltaram, mas Silveira fumava constantemente. "Ele argumentava que todos morreriam um dia. Graça a Deus, nossos dois filhos nunca fumaram."

Se no passado o fumo era sinal de status e emancipação, hoje é sinônimo de danos à saúde. Para a companheira de Silveira, quem convive com fumantes sofre junto com a pessoa, nem sempre de forma passiva, mas com tristeza, "Perder entes queridos para o cigarro é doloroso e dá um sensação de impotência", descreve. 

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