FDA não faz recomendações sobre uso do bisfenol-A

Senadores acusam o orgão de falhar na proteção dos consumidores e de tomar partido das indústrias

Reuters

14 de maio de 2008 | 18h19

A Food and Drug Administration (FDA), órgão de regulação de alimentos e remédios norte-americano, disse nesta quarta-feira, 14, não ver razão para notificar consumidores para pararem de usar produtos, como mamadeiras, feitos de plástico duro, devido ao aditivo químico controverso bisfenol-A (BPA).   Veja também: Bisfenol-A pode estar ligado a casos de tendência à obesidade   Norris Alderson, da comissão de ciência da FDA, disse que embora a agência esteja revisando a segurança do BPA, "há um grande corpo de evidências disponíveis" que mostram que os produtos feitos com a substância são seguros.   Alderson também defendeu a confiança da FDA em dois estudos, financiados por indústrias, que determinam que produtos contendo BPA são seguros.   Diversos estudos encontraram uma variedade de problemas de saúde em animais de laboratório associados ao BPA.   Alguns senadores culparam a FDA e a Comissão da Segurança de Produtos por falharem na proteção dos consumidores norte-americanos de BPA e phthalates, uma classe de químicos usados para aumentar a flexibilidade dos plásticos.   O senado passou em março legislação que imporia o banimento nacional dos phthalates em brinquedos e produtos infantis.   "A FDA dificilmente poderia fazer menos", disse o senador democrata John Kerry de Massachusetts para Alderson.   O senador Charles Schumer, democrata de Nova York, disse que a FDA estava "olhando para o outro lado" no que diz respeito às preocupações quanto à segurança do BPA. "Pais sempre pesam na segurança no que diz respeito a seus filhos. Eu penso que a lei deveria fazer o mesmo", acrescentou.   Schumer, Kerry e outros senadores democratas apresentaram em abril uma lei para banir o BPA em produtos infantis. Ela também direcionaria Centers for Disease Control and Prevention para o estudo dos efeitos de saúde humanos do BPA.   Grupos de consumidores e outros críticos acusaram a FDA de falhar na ação de segurança no caso do BPA e em outros, tomando o lado das indústrias.   Estudos animais   Alderson disse liderar uma força tarefa da FDA para a revisão das questões de segurança concernindo o BPA. Ele acrescentou que não há motivos para desaconselhar o uso do bisfenol-A até o momento, uma vez que há produtos similares no mercado, inclusive.   Alderson disse que a FDA está analisando um relatório inicial de abril do Programa Nacional de Toxicologia, parte dos Institutos da Saúde do governo norte-americano, que expressa preocupação de que o BPA causasse danos potenciais neurológicos e comportamentais em fetos, bebês e crianças.   Se baseando em estudos animais, o Programa Nacional de Toxicologia disse que há evidências que sugerem ligação entre a exposição ao BPA e puberdade antecipada, câncer de próstata e mama, se tornando a primeira agência federal a aceitar essas preocupações.   Algumas empresas de varejo, incluindo o Wal-Mart e a Toys R Us, planejam parar a venda de certos itens feitos com BPA.   O BPA é usado para fazer o plástico policarbonato, transparente e a prova estilhaçamento, usado para uma gama de produtos que abrange desde mamadeiras até equipamentos médicos.   Ele também é usado na produção de resinas epoxy usadas para embalar a maior parte dos alimentos, além de próteses dentárias.

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