Feira na Alemanha promove novos modelos de robô para uso militar

Máquinas capazes de imitar os sentidos humanos ainda não são confiáveis, mas trabalho prossegue

Associated Press

19 Maio 2010 | 15h43

Soldados acompanham o robô de fabricação alemã teleMAX em apresentação. matthias Schrader/AP

 

Do lado de fora, parece um utilitário comum. Mas o protótipo de "carro robô autônomo", equipado com sensores e scanners,câmeras multifocais e computadores potentes - pode, um dia, evitar baixas militares provocadas por emboscadas e   bombas. Ou, ao menos, é o que os projetistas esperam.

 

Pesquisadores apresentaram o chamado MuCar-3 no Teste Europeu de Robôs Terrestres da Alemanha, onde grupos de todo o mundo oferecem ideias aos militares dos Estados Unidos, Europa e Japão.

 

O MuCar-3 pode seguir, de forma independente, um carro à frente, como num comboio militar, e parar ou dar ré quando o carro à frente dá o exemplo. Trata-se de um passo para dar aos comandantes militares um sistema robótico para manter as tropas em segurança o máximo possível.

 

Mas ainda há problemas a resolver, de acordo com os avaliadores da conferência Robot Trial, nas proximidades de Hamburgo.

 

"Vimos progresso, mas não tanto quanto gostaríamos", disse Dirk Ellinger, diretor de armamentos do Ministério da Defesa alemão.

 

Por todo o mundo, exércitos já usam cerca de 10.000 sistemas diferentes de robôs de controle remoto para vigilância, reconhecimento ou destruição de bombas. Especialistas ainda esperam por um avanço dos robôs para que possam desempenhar tarefas simples sem orientação humana.

 

"Por ora, não há soluções de robôs autônomos ou semiautônomos prontos para ir á produção em série", disse Ellinger.

 

Comandantes militares não esperam algo saído dos filmes. As prioridades de hoje não requerem algo como o R2D2 de Guerra nas Estrelas ou um Exterminador do Futuro, disse o chefe do Exército alemão, Werner Freers. 

 

"Estamos em busca de soluções pragmáticas que facilitem a vida de nossos soldados em missões militares", disse ele.

 

O robô scanner Iltex, da empresa GeoTec, é apresentado na feira. Matthias Schrader/AP

Freers disse que gostaria de algo que ajude os soldados a evitar o perigo, mas também que poupe as tropas de tarefas de rotina, para que possam se concentrar em atividades mais importantes, "como lutar".

 

Soluções de comboio, como o MuCar-3, desenvolvida pela academia dos militares, a Universidade  do Bundeswehr, em Munique, poderia liberar os soldados da tarefa de transportar suprimentos, um trabalho estressante e perigoso em países como o Afeganistão.

 

"Isso é algo que somos capazes de fazer", disse Henrik Christensen, diretor do Centro Georgia Tech de Robótica.

 

Mas o sistema de Munique não é perfeito. Ele ainda preciso de um carro guiado por seres humanos para seguir, e precisa de alguém no banco do motorista para emergências, embora na maior parte do tempo essa pessoa não precise fazer nada - como foi demonstrado durante a apresentação.

 

Aperfeiçoamento também parece ser a palavra de ordem para os demais veículos apresentados na feira. Muitos se parecem com coisas saídas de filmes de ficção científica dos anos 80, com olhos de câmera e braços mecânicos.

 

O ELAP também foi demonstrado durante o encontro realizado na Alemanha. Matthias Schrader/AP

 

A Universidade de Siegen apresentou um robô que seria ser capaz de seguir uma pessoa, mas o veículo, um amontoado de scanners e câmeras, estava continuamente bipando e parando, irritando os construtores.

 

Pesquisadores enfrentam dificuldades na tarefa de modelar os sentidos humanos, de forma que os robôs possam manobrar sozinhos e contornar obstáculos, mas os sistemas de controle remoto quase não apresentam problemas.  

 

A MacroUSA & Force Products Group demonstrou um minúsculo robô que parece um carrinho de controle remoto, mas que transmite imagens de vídeo. As Forças Armadas dos EUA usam o modelo, que pode ajudar a inspecionar edifícios numa zona de guerra ou mesmo durante uma situação com reféns. O presidente da empresa,  Chris Vilter, espera que os europeus se interessem pela unidade, que custa US$ 32.900.

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