Fermi detecta a mais poderosa explosão já vista no espaço

A explosão captada pelo telescópio excedeu, em cerca de 9 mil vezes, a potência de uma supernova comum

da Redação,

19 de fevereiro de 2009 | 19h22

A primeira explosão de raios gama registrada em alta resolução pelo Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi vai entrar para o livro dos recordes. A detonação teve a maior energia total, os deslocamentos mais velozes e as emissões iniciais de mais alta energia já registrados.   Novo telescópio da Nasa vê uma explosão no espaço por dia   "Estávamos esperando por este", disse o principal cientista encarregado pelo Telescópio de Grande Área do Fermi, Peter Michelson, da Universidade Stanford. "Emissões explosivas a essas energias ainda são muito pouco compreendidas, e o Fermi nos dá as ferramentas para entendê-las". As explosões de raios gama são os eventos mais luminosos do universo.   Astrônomos acreditam que acontecem quando estrelas exóticas de grande massa começam a ficar sem combustível. À medida que uma estrela se transforma em um buraco negro, jatos de material - energizados por um processo que ainda não é bem entendido - disparam para fora, a velocidades próximas à da luz.   Os jatos varam as camadas da estrela que encolhe, e continuam pelo espaço, onde interagem com o gás eliminado previamente pela estrela, gerando um brilho posterior que some com o tempo.   Essa explosão, designada GRB 080916C, ocorreu em 15 de setembro, na constelação de Carina. O outro instrumento do Fermi, o Monitor de Explosões de Raios Gama, registrou o evento simultaneamente Juntos, os instrumentos oferecem uma visão da emissão inicial, ou imediata, de raios gama, com energias entre 3 mil e mais de 5 bilhões de vezes maiores que a da luz visível.   Cerca de  32 horas após a explosão, Jochen Greiner, do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, na Alemanha, encabeçou um grupo em busca do brilho posterior à explosão.  A equipe captou o campo em sete diferentes comprimentos de onda, usando um telescópio especial baseado no Chile. Essas observações permitiram concluir que a explosão ocorreu a 12,2 bilhões de anos-luz.   Tendo a distância para calibrar seus dados, a equipe do Fermi concluiu que a explosão excedeu, em cerca de 9 mil vezes, a potência de uma supernova comum, se a explosão tivesse emitido sua energia de modo uniforme, em todas as direções. Cientistas usam esse tipo de comparação para classificar eventos, mesmo com o fato de que a maior parte da energia de uma explosão de raios gama é emitida em jatos estreitos. 

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