FHC aceita proposta de criação de instituto

Já está em andamento uma das sugestões concretas feitas ao presidente Fernando Henrique Cardoso, na última segunda feira, no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, durante a audiência pública com os chefes de estado sobre a próxima Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10). O presidente deu o sinal verde para o que o autor da proposta, o renomado ambientalista Paulo Nogueira Neto, estude a criação de um Instituto Brasileiro de Unidades de Conservação (IBUC), dentro do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em princípio, conforme explica Nogueira Neto, o novo instituto teria autonomia em relação ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tratando apenas dos ecossistemas protegidos em unidades de conservação de uso indireto (parques, estações ecológicas, reservas biológicas e áreas de relevante interesse ecológico) e das florestas secundárias, a serem mantidas devido ao seu importante papel no seqüestro de carbono, uma das medidas de precaução contra as mudanças climáticas globais. O manejo florestal (das florestas nacionais, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável) continuaria com o Ibama.?Mas, naturalmente, tudo ainda está para ser estudado, desde a estrutura até as atribuições?, diz Nogueira Neto. ?Provavelmente trabalharemos com a idéia de um fundo específico, para o qual seriam canalizados, por exemplo, os recursos de compensação ambiental, que, por lei, já têm seu uso vinculado às unidades de conservação?.A proposta é uma antiga reivindicação dos ambientalistas, que pretendem, com ela, conferir mais agilidade à gestão das unidades de conservação, cujo potencial, embora enorme, hoje é mal aproveitado. O Brasil ainda não consegue gerar receita com os parques para usar na sua manutenção e fiscalização e, mesmo quando gera - como é o raro caso do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná - não consegue fazer com que esta receita seja reinvestida na própria unidade de conservação. Via de regra, os recursos se perdem no caminho, desviados para outras atividades dos órgãos ambientais.Quanto à proteção das florestas secundárias, o assunto é realmente novo, em termos de conservação. Paulo Nogueira Neto propôs, na mesma audiência da segunda feira, a criação de uma Rede Internacional de Florestas Secundárias, para estudar sua importância no seqüestro de carbono e assegurar que sejam protegidas, onde existirem. As florestas primárias não retiram carbono da atmosfera, porque não estão em crescimento, mas as florestas secundárias sim. Porém só a proteção das florestas primárias ? dada sua imensa importância para a preservação da biodiversidade - está prevista na maioria dos sistemas nacionais de unidades de conservação.Os dados sobre as florestas secundárias hoje são esparsos e insuficientes, mas poderiam ser obtidos nos mesmos estudos feitos para avaliar os desmatamentos. Na Amazônia, segundo o último levantamento sobre desmatamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), anunciado no início deste mês, existem 165 mil km2 de áreas desmatadas abandonadas, consideradas impróprias para a agricultura. Nem todas voltarão a ser florestas, algumas sofreram processos graves de erosão de solo e perda de sementes nativas, mas em uma boa parte delas a capoeira já está crescendo e pode se transformar em floresta secundária. Outro exemplo é o do Rio Grande do Sul, cujo inventário florestal estadual indica que a área de florestas naturais dobrou, nos últimos 5 anos, devido ao crescimento das florestas secundárias.

Agencia Estado,

26 de junho de 2002 | 15h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.