Fidelidade conjugal pode ser genética

A fidelidade conjugal é uma característica inscrita no DNA, no caso de alguns machos de uma espécie de pequenos roedores da América do Norte. Entre os chamados ratos do campo (fotos), cientistas encontraram um mecanismo que pode controlar um gene e fazer também com que o macho seja um pai atencioso com sua prole.O estudo, publicado nesta sexta-feira pela Science, é de uma dupla da Universidade de Emory e suscita especulações em relação a uma possível fidelidade genética entre humanos. Elizabeth Hammock e Larry Young, os autores, dizem que detectaram o mesmo mecanismo na seqüencia do DNA humano mas não arriscam dizer em que medida isso influencia o comportamento.Entre os redores estudados pela dupla, a seção do DNA envolvida no controle do gene de resposta ao hormônio vasopressina tem um tamanho muito variável. Os pesquisadores constataram que os machos com versões mais longas desta seção são monogâmicos e muito mais devotados a seus filhotes do que os outros.HumanosAs pessoas têm a mesma variabilidade em seu DNA, segundo Young, com as chamadas seções de controle tendo pelo menos 17 comprimentos diferentes. Então, será que as mulheres em busca de um parceiro fiel e atencioso deveriam procurar aqueles com a seção de controle mais longa?Para Young, não é bem assim. Ele considera que qualquer efeito genético nos homens seria influenciado pela cultura, o que torna difícil fazer qualquer prognóstico individual.O mesmo mecanismo de controle está presente em dois primos mais próximos dos humanos, os chimpanzés e bonobos (primatas muito parecidos entre si). O efeito da vasopressina no comportamento destes três primatas não é muito bem compreendido ainda.Entre os roedores, a ação do hormônio vem sendo estudada há vários anos e, curiosamente, os efeitos entre os ratos do campo diferem bastante de outros pequenos roedores similares, predominantemente polígamos.

Agencia Estado,

10 de junho de 2005 | 18h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.