Filhote de peixe-boi chega bem a Itamaracá

O filhote de peixe-boi marinho Tinga, encontrado encalhado na Praia Redonda, no Ceará, foi transferido, hoje, de avião para o Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA), em Itamaracá, Pernambuco. A viagem de avião até Recife durou duas horas e meia, seguida de uma hora de caminhonete até Itamaracá. O filhote foi envolvido numa manta térmica, com os olhos protegidos por gazes umedecidas com soro fisiológico, para não ressecar. Ao chegar no novo tanque logo subiu para respirar e ao meio dia já estava tomando mamadeira, sinal de que a viagem transcorreu sem problemas.Com a coloração bem escura, típica de recém-nascidos da espécie Trichechus manatus, e restos de cordão umbilical ainda presos ao corpo, Tinga encalhou pela primeira vez no último dia 20, quando foi empurrado de volta para o mar por pescadores. Na sexta feira, dia 24, tornou a dar na praia, já apresentando sinais de saúde debilitada. Socorrido por membros da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste (Remane), precisou de cuidados veterinários, devido a uma infecção por Samonella. "A infecção parece estar sob controle, embora ainda estejamos tratando", conta Milton Marcondes, veterinário do CMA. "Neste fim de semana ele fica em observação e na segunda feira repetimos o exame de sangue. Se tudo estiver bem, suspendemos os antibióticos e repetimos o exame bacteriológico dentro de uma semana".Tinga foi o primeiro filhote a encalhar no fim de maio, quando a época de nascimento de peixes-boi normalmente se encerrou. "Sempre tivemos notícias de encalhes entre outubro e abril e, aqui no centro, os nascimentos também ocorreram neste período, demonstrando que existe uma época bem definida para a espécie", comenta Régis Pinto de Lima, diretor do CMA. O nascimento fora de época não tem uma explicação, por enquanto. Já o encalhe, como nos outros casos ocorridos nesta temporada da fêmea Tuca, em novembro, e do macho Atol, em abril está relacionado à alteração dos estuários de rios, nos quais as fêmeas prenhes deveriam entrar para dar à luz."Nesta faixa entre o norte do Rio Grande do Norte e o leste do Ceará, muitos estuários foram modificados para a construção de salinas e é uma zona sem muita proteção de recifes, então as fêmeas dão à luz na arrebentação e perdem os recém nascidos nas ondas", acrescenta Lima. A média de filhotes encalhados, recuperados no CMA, é de 3 por ano. Eles permanecem nos tanques até crescer o suficiente para serem devolvidos ao mar.

Agencia Estado,

31 de maio de 2002 | 15h59

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