Filhote de preguiça vive abraçado a urso de pelúcia

Encontrado ainda agarrado ao cadáver da mãe, que morreu atropelada, um espécime raro de bicho preguiça, da espécie Choloepus didactylus, escapou da morte graças à criatividade de duas biólogas da Universidade do Amazonas. Para substituir o corpo da preguiça mãe, a quem os filhotes vivem agarrados pelo menos até os seis meses de idade, as biólogas ofereceram um ursinho de pelúcia ao bebê. A estratégia deu certo. O filhote está há duas semanas agarrado ao ursinho e já ganhou até nome: "Supla". O filhote, da espécie conhecida popularmente como preguiça real, foi encontrado pelos técnicos do Ibama e entregue ao pesquisador e professor da Universidade do Amazonas, Marcelo Gordo. Este, por sua vez, entregou a "criança" para a esposa e bióloga Mariana Rabello Mesquita que, com a ajuda da também bióloga Nívea Aparecida Silva do Carmo, passou a cuidar do pequeno animal.As duas fazem mestrado em biologia no Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas e estão acostumadas a cuidar de animais silvestres. Para Nívea, por exemplo, esse contato com o bebê preguiça não é novidade. "A tese do meu mestrado é exatamente sobre o bicho preguiça. Este, por sinal, é o quarto ou quinto animal desta espécie que chega às nossas mãos", diz.O bicho preguiça tem uma atividade estomacal muito intensa. De hora em hora tem que ser alimentado, o que é feito com leite em uma pequena mamadeira de bebê. "Quando o Supla fica com fome, começa a se mexer e a chorar. Aí temos que parar o que estivermos fazendo para dar comida e ele", conta Mariana.Em compensação, Supla é super econômico tem termos de higiene pessoal. Só costuma fazer suas necessidades fisiológicas uma vez por semana. "Com isso, precisamos de apenas dois ursinhos de pelúcia. Quando um fica sujo, substituímos pelo outro enquanto está lavando", acrescenta Mariana.A espécie de Supla é considerada rara por dois motivos. Primeiro, por ter apenas dois dedos. E depois, por ter hábitos noturnos, o que dificulta o contato com os seres humanos. "Felizmente, a preguiça real ainda não está ameaçada de extinção", atesta Nívia.As duas biólogas têm um projeto de construção de laboratório de triagem em Manaus para a recuperação de espécies silvestres acidentadas antes de devolvê-las ao seu meio ambiente. Para isso, precisam de ajuda de entidades não-governamentais dispostas a participar do projeto.

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2002 | 15h31

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