Fiocruz encontra 1º caso brasileiro de hepatite C-4

A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou pela primeira vez, em um brasileiro que não foi contaminado no exterior, o vírus da hepatite C tipo 4. O paciente em questão está no Hospital Universitário Gaffrée Guinle. Entre os seis tipos conhecido da doença, esse é um dos mais raros no País, pois é originário do norte da África, região que recebe poucos visitantes do Brasil, e de onde pouca gente viaja para o País."Essa manifestação não reage ao tratamento convencional com o Interferon", explicou o presidente do Grupo Otimismo, Carlos Varaldo, que criou esta organização não-governamental para defender os direitos dos portadores da enfermidade e divulgar as formas de deter o avanço da hepatite C. "Mas não há risco de contaminação, pois é uma doença que se transmite pelo sangue, e suas causas estão controladas."Segundo a Fiocruz, é a primeira vez que o vírus tipo 4 é identificado no Brasil em paciente que não tenha ido ao norte da África. O único fator de risco encontrado foi uma transfusão de sangue realizada pelo paciente, no País, em 1985, afirma a instituição.Varaldo explica que quase todos os casos de hepatite C conhecidos hoje são resultado de contaminação ocorrida antes da década de 90, pois o vírus foi identificado em 1980, e o exame para detectá-lo só se tornou obrigatório no País a partir de 1992. A doença é assintomática, mas ao longo dos anos afeta o fígado e pode finalmente levar à morte, por cirrose hepática aguda. Geralmente, é descoberta quando já está em um estágio avançado e pouco pode ser feito."O problema é que a doença se manifesta como cirrose mais de 20 anos depois, em 25% das pessoas contaminadas", disse o dirigente da ONG. "Neste caso, a detecção é mais importante do que a prevenção para tratamento prévio."Varaldo lembrou ainda que o Ministério da Saúde calcula em 4 milhões o número de pessoas contaminadas no Brasil pela hepatite C, das quais 1 milhão deve desenvolver cirrose. "Destas, 75% têm o vírus tipo 1, 20% estão contaminadas com o tipo 3 e os restantes estão distribuídos entre os tipos 2, 5 e 6, especialmente esses dois últimos, que vêm da Ásia e aqui aparecem em São Paulo, onde há muitos descendentes de japoneses", enumerou. "No caso do tipo 4, por ser uma doença comum em países pobres, a indústria farmacêutica não pesquisa medicamentos para combater a doença."

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