Fiscalização aérea identifica pesca irregular em SP

A pesca irregular dos barcos de arrasto e das parelhas - embarcações que navegam paralelas e arrastam grandes redes entre elas - foi flagrada, no litoral sul de São Paulo, durante a primeira fiscalização marinha com sobrevôo, realizada entre os dias 25 e 27 de junho, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Polícias Federal e Ambiental.A operação conjunta fotografou 32 barcos pesqueiros próximos das praias de Iguape, Ilha Comprida e Cananéia, alguns com o número de registro raspado ou coberto com lona, para dificultar a identificação. A legislação paulista impede a ação de grandes embarcações de parelha dentro do limite de 1,5 milha (2,8 quilômetros) da costa.A oceanógrafa do Ibama Danielle Paludo, que participou da operação, disse que a ação pelo ar possibilitou o expressivo flagrante, dificultado por ações em terra. Embora receba, em média, uma denúncia por dia, o Ibama só havia multado dois barcos este ano. Com as fotografias das embarcações, os proprietários estão sendo identificados pela Marinha e autuados pelo Ibama com multas que vão de R$ 20 mil a R$ 50 mil. A maior parte delas é de Santos, mas há barcos de Santa Catarina e do Rio.A oceanógrafa explicou que a situação é agravada por envolver o Complexo Estuarino Lagunar, considerado um dos berçários de peixes mais importantes do País. Ela afirmou que a ação das parelhas causa grande impacto ambiental, porque, ao revolver o fundo o mar, destrói o habitat de várias espécies e, no descarte, causa a morte dos filhotes.Todos os anos, milhares de peixes com até 500 gramas aparecem mortos nas praias da região. "Esta pesca predatória também arrasa a economia de cidades como Iguape e Cananéia, que têm na pesca sua principal atividade", afirmou ela.

Agencia Estado,

06 de julho de 2004 | 23h53

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