Fiscalização contém desmatamento no Pará, diz Ibama

O desmatamento caiu 70% nos últimos 14 meses no Pará, apesar de a devastação das florestas continuar em ritmo acelerado no sudeste do Estado, especialmente no município de Cumaru do Norte, onde as derrubadas e as queimadas destruíram neste ano cerca de 47 mil hectares.Na Amazônia, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a redução foi de 50%. "Isso significa que vão deixar de ser cortados 14 mil km2 em árvores", calcula o gerente do Ibama em Belém, Marcílio Monteiro de Abreu.Com a ajuda de imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a fiscalização do Ibama consegue localizar os desmatamentos em tempo real para enquadrar os infratores na Lei de Crimes Ambientais e no Código Florestal. A multa é de R$ 1,5 mil por hectare desmatado e mais R$ 1,5 mil se a área tiver sido queimada."O responsável pela destruição de uma área como esta, onde se estima que o desmatamento e o fogo tenham acabado com uns 3 mil hectares, será autuado em R$ 9 milhões", disse o agrônomo Marcos Vinícius Mendonça, na semana passada, depois de percorrer o que restou da floresta na fazenda São José, em Santana do Araguaia.Mendonça, que há duas semanas coordena uma operação do Ibama com cobertura do Exército e da Polícia Militar na região, autuou 11 fazendas e duas serrarias em Cumaru do Norte e municípios vizinhos. Nem todas as multas são pagas, sobretudo as maiores, que acabam caindo na dívida ativa para com a União, mas os infratores sofrem as conseqüências da autuação.Além de perder o acesso a financiamentos bancários, os responsáveis por desmatamentos e queimadas ficarão sem as máquinas e os veículos apreendidos, que agora podem ser alienados pelo governo, conforme decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto.Os empregados de pecuaristas e madeireiros também são enquadrados por crime ambiental, se a derrubada não tiver sido autorizada."Na semana passada, apreendemos 109 caminhões e 18 mil m3 de carvão nas siderúrgicas de Marabá - a Sidepar e a Simara - numa operação conjunta do Ibama, Polícia Federal e procuradores do Ministério do Trabalho", informou o engenheiro florestal Norberto Neves de Sousa.Segundo o gerente regional de Marabá, Ademir Martins dos Reis, o Ibama multou uma das siderúrgicas também pela queima de 55 mil m3 de carvão vegetal no beneficiamento de minério de ferro extraído em Carajás.A fiscalização multou em mais de R$ 500 milhões, entre maio e julho, oito siderúrgicas do Pará e do Maranhão. O carvão apreendido é distribuído a famílias carentes para consumo doméstico.   estatísticas sobre florestas

Agencia Estado,

31 de outubro de 2005 | 10h14

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