Fiscalização irrita madeireiros, que fazem ameaças

O combate à exploração ilegal de madeira, principalmente em áreas de preservação ambiental e reservas indígenas do município de Itaituba, sudoeste do Pará, está provocando reações indignadas de madeireiros da região, alguns candidatos às próximas eleições. Depois de uma reunião realizada na Câmara, na quarta-feira, eles passaram a ameaçar ocupar prédios públicos, fechar o comércio local e manter reféns servidores do Ibama como forma de pressão contra o trabalho dos fiscais. Os madeireiros acusam o Ibama de agir com excessivo rigor, aplicando multas e apreendendo equipamentos, além de engavetar seus projetos de manejo. Afirmam também que o setor está paralisado, apesar de responder por 30% da geração de emprego somente em Itaituba. Os prejuízos, alegam, são grandes, repercutindo diretamente na economia de todos os municípios da região. A crise e a ameaça de desemprego fizeram cair as vendas e aumentar a inadimplência no comércio. A sede do Ibama na cidade está protegida desde ontem por policiais militares e rodoviários federais, principalmente depois do surgimento de boatos de que o local poderia ser incendiado. As manifestações contra o Ibama seriam comandadas pelo candidato a prefeito de Itaituba, Walmir Clímaco (PMDB), multado em mais de R$ 1 milhão por desmatamento ilegal, e Osmar Ferreira, conhecido como o "rei do mogno" na Amazônia. Clímaco foi citado na CPI do Narcotráfico da Câmara Federal como ligado ao crime organizado. O prefeito de Trairão, Ademar Baú (PMDB), também é um dos líderes do protesto, porque teve três máquinas de seu município apreendidas pelos fiscais por estar operando dentro da Floresta Nacional de Itaituba sem autorização. A chefe do escritório do Ibama na cidade, Lívia Passos, informou que a fiscalização não será suspensa: "O que estamos fazendo é cumprir a lei."

Agencia Estado,

21 de agosto de 2004 | 11h52

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