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Físicos americanos anunciam detecção de ondas gravitacionais

Os sinais eram buscados por cientistas há 100 anos, desde que Albert Einstein as previu em sua Teoria da Relatividade Geral

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2016 | 14h45

SÃO PAULO - Cientistas dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 11, uma descoberta histórica: pela primeira vez foram detectadas as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, publicada há cem anos.

“Estamos detectando ondas gravitacionais. Nós conseguimos”, anunciou David Reitze, um dos coordenadores do projeto Laser Interferometer Gravitational-Wave Observator (Ligo), nos Estados Unidos, na sede da NSF, a agência americana de financiamento à pesquisa.

As pesquisas tiveram participação de mais de mil cientistas de 14 países, incluindo grupos brasileiros liderados por Odylio Aguilar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e por Riccardo Sturani, do Centro Internacional de Física Teórica, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Veja cinco perguntas e respostas sobre as ondas gravitacionais. 

Segundo Reitze, as ondas gravitacionais foram observadas em 14 de setembro, em dois detectores localizados a 3 mil quilômetros um do outro, em Hanford, Washington, e Livingstone, Luisiana. De acordo com ele, a descoberta abre uma nova “janela para o Universo”. “O sinal detectado foi exatamente o previsto por Einstein. Mas estamos mesmo animados é com o que virá agora. É algo grandioso, porque, além de confirmar as previsões de Einstein, também poderemos detectar coisas que nem são esperadas.”

Gabriela González, responsável pelo programa Ligo na Universidade da Luisiana, explica que os físicos, até agora, usam o espectro eletromagnético – que inclui a luz visível, o raio X e o infravermelho, por exemplo – para fazer suas descobertas. Mas o novo experimento prova que também é possível estudar o Universo a partir de outros tipos de ondas existentes.

“Se podemos detectar ondas gravitacionais, talvez possamos descrever fenômenos que não emitem ondas eletromagnéticas suficientemente significativas para serem observadas. Antes nós víamos o Universo. Agora, nós começamos a ouvi-lo”, disse Gabriela.

“Em 14 de setembro, tudo mudou”, disse o físico Kip Thorne, um dos responsáveis pela criação do Ligo, nos anos 1990. “Graças a essa descoberta, a humanidade embarca na maravilhosa exploração dos lugares mais extremos do Universo.” À BBC, o físico Stephen Hawking disse que a descoberta é um divisor de águas e tem potencial para “revolucionar a astronomia.”

Buracos negros. No fim de 1915, Einstein revolucionou a física ao propor que a gravidade não é uma força de atração, mas uma distorção no tecido do tempo-espaço produzida por objetos que possuem massa.

Segundo a teoria, a distorção causada por corpos muito grandes e acelerados deveriam produzir ondas no espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água. Mas a detecção dessas ondas gravitacionais era quase impossível, já que são minúsculas, com amplitude milhares de vezes menor que o comprimento de um próton.

Para conseguir a façanha, os cientistas observaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro em uma galáxia distante, a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Os dois corpos, com massa cerca de 30 vezes maior que a do Sol, aproximaram-se até se fundirem, gerando – por uma fração de segundo – uma grande emissão de ondas gravitacionais, cujos ecos foram “ouvidos”. Além de observar as ondas, o experimento foi o primeiro na história a detectar um sistema binário de buracos negros em colisão. 

Segundo George Matsas, do Instituto de Física Teórica da Unesp, para detectar as sutis ondas emitidas há mais de um bilhão de anos, foi preciso ter um detector com extrema sensibilidade. “Como a distância é incrível, a amplitude da onda cai de forma incrível. Por isso era necessário tanta precisão.”

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