Físicos discutem possibilidades da spintrônica

Os físicos que trabalham com spintrônica, ou magnetoeletrônica, disciplina que une magnetismo e eletrônica, são ambiciosos. Entre seus planos, está o de montar um computador de um só chip, que integra tudo, memória de acesso randômico (RAM) e disco rígido, em um único lugar. Computadores como os conhecemos estariam fora do mercado.Também pensam em possibilidades como lógica reprogramável, que se modifica sob influência magnética, sensores integrados no circuito eletrônico, integração de lógica e memória. ?Queremos fazer o que a eletrônica faz controlando o elétron?, diz Sérgio Machado Rezende, do departamento de física da Universidade Federal de Pernanbuco (UFPE), que proferiu nesta quarta a palestra Spintrônica: a eletrônica do futuro, durante a 54º reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.O magnetismo já era conhecido pelos gregos em 2000 a.C, mas foi há muito pouco tempo que os cientistas passaram a dominar suas propriedades. A spintrônica usa o poder de spin, ou de girar sobre si mesmo (como um pião), do elétron. É o spin que torna um material magnético. Nos dispositivos eletrônicos tradicionais, válvulas e transístores, o elétron perde a memória de seu spin por causa das colisões que sofre, e não tem qualquer função.Empilhando camadas nanométricas de materiais diversos, os cientistas conseguiram fazer com que o elétron viaje distâncias menores e, assim, seja capaz de guardar a memória de seu spin. As descobertas recentes incluem o efeito túnel magnético, onde a corrente passa através de uma camada isolante.A injeção de spin atravessa a camada magnética até uma não magnética. O semicondutor magnético tem sua condutividade controlada. ?A spintrônica é a tecnologia para o século 21?, diz Rezende. ?Ela permite a integração de dispositivos spin e semicondutores tradicionais.? Uma cabeça de leitura magneto-resistiva amplia a capacidade de gravação digital ocupando o mesmo espaço. Uma memória RAM magnética pode ter memória. Isto é, será possível desligar o computador com os programas abertos e, ao ser religado, ele mostrará os mesmos programas na tela.No Brasil, há grupos em pelo menos três Estados estudando o assunto: em Pernambuco, na UFPE, em São Paulo, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), e no Rio Grande do Sul, informa Rezende.Mas por falta de base industrial só são feitas pesquisas básicas sobre os fenômenos e materiais de aplicação spintrônica . ?A pesquisa aplicada ou é feita junto com empresa ou não tem sentido?, diz o professor.

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 22h34

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