Floresta amazônica cresce mais rápido e morre mais rápido

A taxa de crescimento das florestas na Bacia Amazônica praticamente dobrou nas últimas décadas, o que pode ter ajudado a conter o aquecimento global, mas a taxa de mortalidade da floresta também se acelerou, informa um periódico científico do Reino Unido. Em uma edição dedica às florestas tropicais, o Philosophical Transactions B da Royal Society traz 17 estudos de cientistas de diversos países, como Inglaterra, Itália, Alemanha, Brasil, Peru e EUA.Em três dos relatórios, cientistas afirmam que, em áreas ainda intocadas da floresta, os ritmos de crescimento e de morte estão aumentando. Também notam que a taxa de morte é um pouco menor que a de crescimento, aparentemente causando uma ampliação da biomassa - massa de vegetação viva - nas florestas virgens.Yadvinder Malhi, da Universidade de Edimburgo (Escócia), um dos editores da publicação, disse que o aumento de biomassa pode ter ajudado a remover gás carbônico da atmosfera, retardando o aquecimento global. Mas Oliver Phillip, da Universidade de Leeds, diz que não se pode contar com esse benefício da mata virgem. ?O processo pode se reverter rapidamente, pelo efeito combinado do desflorestamento e do aquecimento global?, diz.Os cientistas informa que as florestas tropicais como um todo aqueceram-se em meio grau Celsius ao longo dos últimos 20 anos. A elevação de temperatura deve chegar a algo entre três e cinco graus até o final do século, dizem os estudos. Malhi disse que se desconhece o limite da tolerância das árvores ao calor e que, se a floresta morrer, o freio do aquecimento global desaparecerá.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2004 | 19h23

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