Floresta sustentável é a base do desenvolvimento regional

O desenvolvimento regional com base em um setor florestal sustentável foi a principal recomendação dos participantes do seminário sobre Certificação Florestal na Amazônia, realizado nesta terça-feira, em Belém. Em um documento apresentado no final do evento, que teve a participação de mais de 600 pessoas, os organizadores destacam o esgotamento do modelo de desenvolvimento baseado na conversão da floresta e extração predatória dos recursos naturais, cujos custos ambientais, na forma de perda de biodiversidade e emissão de carbono, são muito elevados. Para os ambientalistas, as práticas de manejo sustentável têm potencial para criar 500 mil empregos formais, diretos e indiretos, nos próximos quatro anos na região, beneficiando cerca de 5% da população da Amazônia. Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, isso será possível com uma mudança no perfil do setor florestal e com a ampliação da certificação. Nos planos do governo federal estão a criação de 9 milhões de hectares de áreas de proteção voltadas para o uso sustentável. Através dessas medidas, Marina Silva espera também combater a concorrência desleal exercida pela produção predatória, que representa mais de 70% do mercado. "Além do valor tangível e monetário obtido por quem quiser aderir a esse novo modelo, existe uma série de valores intangíveis, mas até mais importantes, como exercer uma atividade que não seja vista como predadora dos recursos naturais", disse.John Frost, da P&Q, uma grande compradora européia de madeira certificada, fez um apelo aos madeireiros brasileiros: "Trabalhamos com 42 países e não conseguimos ainda comprar somente madeira certificada. Por isso, quem quiser produzir com os critérios do FSC, pode me procurar". Segundo Frost, grande parte dos compradores europeus deixaram de adquirir o mogno brasileiro por não conseguir garantia de origem, mas voltarão a comprar se o produto tiver um selo confiável.

Agencia Estado,

17 de junho de 2003 | 22h07

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