Focos de incêndio aumentam de um dia para outro

Na quinta eram 14 mil focos; na sexta, o Inpe já contabiliza 15 mil pontos de incêndio em todo o País

Agência Brasil

13 Agosto 2010 | 20h07

Subiu para 15.183 o número de focos de incêndio registrados no país nesta sexta-feira (13) com relação ao dia anterior, quando havia cerca de 14 mil focos. Apesar disso, as queimadas estão sob controle nos estados de Rondônia, Mato Grosso e do Pará, o que significa que o fogo não não deve se espalhar mais. No Acre, eles foram eliminados no início da tarde, mas bombeiros continuam em alerta para combater possíveis novos focos de incêndio.

 

A situação mais grave continua no Tocantins, onde o fogo avança sobre o Parque Nacional do Araguaia e a Serra do Lajeado, em Palmas. Com a ajuda enviada por Brasília, começou no início da tarde de hoje um combate direto do fogo na serra. Está sendo instalado também um centro integrado de gerenciamento de incêndios, com a participação do Ibama, do ICMBio, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e da Defesa Civil estadual.

 

"Ontem vieram 32 brigadistas do Distrito Federal e hoje, na hora do almoço, chegou uma aeronave com capacidade para transportar 500 litros de água. Com isso, poderemos combater o fogo em áreas de difícil acesso", afirmou o diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano Evaristo.

 

No Parque Nacional do Araguaia, o controle está sendo feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a ajuda da Fundação Nacional do Índio (Funai), porque dentro do parque está situada uma reserva indígena. "Ainda não temos levantamento exato da expansão do fogo na área do Araguaia, mas o fato de ser uma área protegida é sinal de que qualquer fogo vai levar a um prejuízo ambiental grande", disse Evaristo.

 

A capital de Rondônia, Porto Velho, amanheceu nesta sexta com o ar carregado de fumaça das queimadas que há dias atingem a cidade. Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia apontam que, desde o dia 1º deste mês, foram registrados 1.087 focos de queimadas na cidade. Em todo o estado, o total de focos chega a 3.744.

 

Antes mesmo de completar a primeira quinzena de agosto, o número de incêndios nas matas de Porto Velho supera o registrado nos meses anteriores. Em julho, foram 942 focos e em junho, apenas 42.

 

A população sofre com os efeitos da fumaça no ar. "Chega a irritar os olhos da gente de tanta fumaça", diz o motorista Cremilson dos Santos. Segundo ele, a situação se repete todos os anos nos meses de seca.

 

No Mato Grosso, o município de Marcelândia teve cerca de 100 casas e oito madeireiras destruídas pelo fogo, segundo a Defesa Civil. Até o momento 77 famílias estão desabrigadas.

 

"Nossa ação, neste momento, é oferecer ajuda humanitária aos atingidos. Foram distribuídas 200 cestas básicas, 2 mil litros de água mineral e remédios para a população que foi intoxicada com a fumaça", disse o superintendente da Defesa Civil do estado, Agnaldo Pereira.

 

Na manhã desta sexta, representantes do órgão estaduais, peritos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da prefeitura estiveram reunidos para contabilizar os dados e promover ajuda aos atingidos.

 

A prefeitura de Marcelância ainda não apurou as causas do incêndio. Mas, nesta época do ano, a região sofre com as massas de ar quente, aumentando as fontes de calor, e com os incêndios criminosos.

 

Peritos ambientais estão analisando as áreas atingidas pelo fogo em Marcelândia e, segundo informações do Superintendente de Fiscalização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o tenente-coronel Paulo Serbija, o laudo com as causas do incêndio deve ficar pronto nos próximos 20 dias.

 

Umidade baixa

 

A umidade relativa do ar deve continuar baixa em boa parte do país nos próximos dias, apesar da chegada de uma frente fria ao Sul do país.

 

"Mesmo com ar mais frio e queda da temperatura, a umidade não vai cair tanto durante as tardes", explicou o meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), Giovani Dolif.

 

A massa de ar deve influenciar o clima na Região Centro-Oeste e no sul da Região Norte. Segundo o meteorologista, mesmo com a chegada da frente fria, não há previsão de chuva para essas regiões.

 

No Distrito Federal, onde a umidade relativa do ar chegou a 7% nesta semana, o índice deve continuar em níveis críticos. A estiagem e baixa umidade do ar aumentam o risco de queimadas.

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