Fogo e desmatamento poluem mais que indústrias e carros

As queimadas e desmatamentos no Brasil contribuem com mais dióxido de carbono para a atmosfera que a indústria e os automóveis juntos. É o que revelam dados preliminares do primeiro inventário nacional sobre emissões de gases do efeito estufa, que deve ser concluído pelo governo até outubro. Apesar de ser a 9.ª economia do mundo, o País contribui com apenas 3% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2): 2% proveniente da perda de cobertura vegetal e 1%, do setor energético e queima de combustíveis fósseis. Historicamente, o Brasil é responsável por menos de 1% da concentração de gases estufa na atmosfera, segundo o coordenador geral de Mudanças Globais do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez. "Temos de considerar as emissões históricas, desde a Revolução Industrial", ressalta Miguez, lembrando que os gases persistem por centenas de anos. "Se parássemos todas as emissões no Brasil - o que traria conseqüências sociais seríssimas - isso resolveria no máximo 1% do problema." De acordo com o relatório, o País emite anualmente 200 milhões de toneladas de carbono e cerca de 9 milhões de toneladas de metano, outro gás importante do efeito estufa, produzido no sistema digestivo dos 170 milhões de bois e vacas do rebanho brasileiro. O inventário é uma exigência para todos os membros da Convenção sobre Mudanças Climáticas, assinada na Rio 92, mas os estudos só começaram em 1995, com regras definidas pelo International Panel on Climate Change (IPCC). Os dados são todos referentes ao período de 1990 a 1994. Por ser um levantamento inédito, foi preciso estabelecer parâmetros para todo o trabalho explica Miguez. Entre outras coisas, os pesquisadores tiveram de determinar quanto CO2 é emitido por cada tipo de vegetação queimada no cerrado, indústria, automóvel. O trabalho envolveu mais de 600 pessoas, de 150 institutições. O resultado final, dividido em 15 relatórios, será apresentado na Oitava Conferência das Partes e da Convenção sobre Mudanças Climáticas em Nova Dhéli, Índia, em outubro.

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