Foguete brasileiro vai estudar microgravidade

Um foguete de 7 metros de altura, levando 8 experimentos científicos, será lançado nos próximos dias do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O vôo, de apenas alguns minutos, será o primeiro do Programa de Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB). "O objetivo é treinar as equipes visando futuros vôos na Estação Espacial Internacional", disse a coordenadora do projeto, Marta Carvalho Humann.Todos os experimentos foram desenvolvidos por instituições brasileiras, envolvendo fenômenos físicos, químicos e biológicos.Projetos brasileiros já foram ao espaço antes, inclusive nos ônibus espaciais da Nasa, mas nunca como parte de um programa nacional integrado. A tecnologia do foguete, batizado com a sigla VS-30 V06, também é brasileira, desenvolvida pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), com contribuição alemã.O lançamento, que vem sendo adiado desde maio, deve ocorrer entre a próxima sexta e segunda-feira, de acordo com as condições do tempo. O foguete, de 1,5 tonelada, subirá até 180 quilômetros, nos limites da atmosfera, permanecendo em condições de microgravidade por cerca de 5 minutos.Sua trajetória deve terminar no mar, a cerca de 80 quilômetros da costa, onde a carga de experimentos será recuperada por um helicóptero.Cientistas usam o ambiente de microgravidade para testar hipóteses, fazer comparações e analisar fenômenos de difícil observação em terra, sem a interferência da gravidade.Os oito experimentos que voarão no VS-30 V06 foram projetados pelo Inpe, Centro Universitário FEI e pelas Universidades do Norte do Paraná (Unopar), Federal de Pernambuco (UFPE), Federal de Santa Catarina (UFSC), Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e de São Paulo (USP) - esta última em parceria com a Universidade de Hohenheim, na Alemanha. Os projetos são feitos sob medida para o foguete e programados para funcionar automaticamente.A pesquisadora Vera Maura Fernandes de Lima, da USP e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), projetou um experimento para estudar, em microgravidade, a propagação de ondas semelhantes às do cérebro humano em um gel que simula as características físico-químicas do organismo. "Queremos ver como as forças modulam o funcionamento do sistema", disse Vera Maura. A propagação da onda altera a cor do gel, que será monitorado por câmeras dentro do foguete.A equipe da FEI vai estudar a reação química de produção da invertase, enzima usada na indústria alimentícia para obter os adoçantes glicose e frutose. Os cientistas estão interessados na velocidade da reação em microgravidade. "O experimento nos dará parâmetros para entendermos melhor a mecânica dessas reações em terra", disse o engenheiro Alessandro La Neve, coordenador do projeto.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 22h11

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