Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Fonte de riquezas, Antártida está na mira das potências

Diamantes, proteínas e água doce em abundância chamam a atenção de países como EUA, Rússia e China

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 03h00

Os 14 milhões de km² da Antártida são feitos de diamantes e óleo cru; abrigam fontes quase inesgotáveis de proteínas, uma reserva talvez de até 500 milhões de toneladas – mas, acima de tudo isso, concentram 70% de toda a água doce do planeta. 

Há mais. Países como os Estados Unidos, a Rússia e a China consideram a instalação na área de centrais de monitoramento de satélites – os seus próprios e os do resto do mundo. Poderiam ver e ouvir as máquinas circulando em torno da Terra. As condições técnicas são favoráveis a esse tipo de trabalho de inteligência, e, de quebra, não contrariam os termos do Tratado Antártico e nem dos pactos que tratam das atividades na região – todos vetam o uso militar da região. Entretanto, os chineses operam três estações de rastreamento orbital na Antártida. 

Os russos anunciaram o funcionamento de outras três unidades de sua rede de posicionamento Glonass, uma versão do GPS incorporada aos sistemas de guiagem de mísseis balísticos. Os EUA informam apenas que suas 16 estações antárticas são dedicadas a programas científicos. Em Moscou, o Instituto de Pesquisa 46 anunciou há três meses um bem sucedido teste com o Tirada 2S. Segundo o diretor da agência, Oleg Achasov, é um “neutralizador de satélites” que dispara ondas radioelétricas contra o alvo a partir da superfície.

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Nos anos da Guerra Fria, as forças navais americanas e russas consideravam as rotas polares ao sul da mesma forma como estudavam as do círculo ártico, no norte, para a passagem de navios de combate – destróieres, fragatas e submarinos nucleares. Registros do Departamento de Defesa dos anos 1970 registram planos para que os grandes porta-aviões nucleares da classe Nimitz, de 100 mil toneladas, sejam “adequados à navegação na Antártida”. Houve ainda a disposição para a realização de testes atômicos e instalação de armas estratégicas – mísseis lançados dos polos voariam menos para atingir seus alvos. As iniciativas não prosperaram. A prioridade passou a ser a pauta ambiental.

Os interesses atuais são enormes. Os 53 países que aderiram ao acordo, em vigor há 58 anos, revelam preocupações diversas, da exploração dos prováveis 200 bilhões de barris de petróleo (40 bilhões já comprovados) à extração de metais raros, de diamantes para uso industrial e do cultivo de certos tipos de crustáceos para consumo humano. 

O ambiente permite pesquisas cientificas especializadas de biologia avançada, mas cresceu também em estudos de novos materiais de alta resistência, baixo peso e flexibilidade. Novos medicamentos e soluções em engenharia química são investigados. Para o Brasil, o foco do cenário tático, de acordo com um ex-integrante do Estado Maior da Marinha, “é o de assumir uma posição privilegiada no conhecimento e eventualmente no controle da navegação oceânica e aérea na Antártida, de importância crescente no hemisfério sul e na ligação entre o leste e o oeste”.

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