Fontes de cobalto 60 são retirados de empresa desativada

Depois de quase dois anos sem uso, fontes de cobalto 60, um material altamente radioativo, foram removidas da empresa Ibras-CBO, no Jardim Santana, em Campinas. A operação de remoção durou pouco mais de 15 horas. O material, mantido dentro da água, em uma piscina com sete metros de altura, para evitar irradiação, era utilizado para esterilizar produtos médicos-hospitalares, mas ficou em desuso após a empresa deixar de operar em Campinas, em dezembro de 2001. Embora a irradiação estivesse contida, o prédio da antiga empresa não oferecia condições adequadas para armazenar o material, explicou o engenheiro ambientalista da Vigilância Sanitária de Campinas, Flávio Gordon. Ele contou que o prédio não dispunha de energia elétrica e abastecimento de água. As fontes de cobalto estavam em 108 varetas de metal com 40 centímetros cada. O produto é centenas de vezes mais potente que o Césio 137, causador maior tragédia radioativa do Brasil, em 1987, em Goiânia (GO). A remoção, para a Companhia Brasileira de Esterilização, em Jarinu, foi feita em dois contêineres de chumbo, com cinco toneladas cada.Os contêineres foram mergulhados na piscina e carregados com braços mecânicos antes de serem lacrados e removidos. A operação ocorreu no sábado, entre as 9 horas e a 0h15. Foi solicitada pela prefeitura à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em dezembro de 2002, e determinada pela Justiça Federal. A Bionuclear Diagnósticos de São Paulo (BND) preparou o plano de transporte das varetas, de responsabilidade da fabricante, a canadense Nordion. Segundo Gordon, outras cinco empresas usam radiadores de fontes de cobalto 60 no Brasil, como a Companhia Brasileira de Esterilização, e 160 no mundo. ?É uma fonte segura para esterilização. Destrói qualquer tipo de vida em materiais hospitalares?, comentou o ambientalista. O material ficará em piscinas, na empresa em Jarinu, até que a Nordion os leve ao Canadá, de navio, para a sede da fábrica.

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