Formigas e esquilos inspiram ciência espacial

Esquilos, formigas, peixes e vespas estão inspirando cientistas a criar soluções para problemas espaciais. O futuro da exploração espacial pode estar na biomimética, onde a engenharia se encontra com a biologia.Na prática, a engenharia "rouba" os truques evolucionários da biologia para criar aplicações revolucionárias.Engenheiros como Alex Ellery, chefe do grupo de pesquisa em robótica da Universidade de Surrey, na Inglaterra, estão tentando descobrir como sistemas naturais podem inspirar a tecnologia espacial."Uma das maneiras óbvias é a forma como a natureza, em particular as plantas, se embrulha em pequenos volumes, mas desenvolve grandes estruturas, como flores, por exemplo", disse ele à BBC. "As aplicações estão limitadas à nossa própria imaginação."SensoresOutro exemplo é a auto-organização das colônias de formigas. Elas concluem tarefas complexas sem qualquer instrução.Máquinas que possam agir de forma independente e inteligente seriam perfeitas para um ambiente hostil como o espacial, e poderiam tornar sua exploração mais segura.No futuro, sistemas que se auto-organizam moldados no modelo das formigas poderiam, por exemplo, monitorar vôos espaciais, "percebendo" e consertando qualquer dano."Os únicos exemplos reais que temos de estruturas que possam monitorar e consertar a si mesmas, são estruturas biológicas", disse o australiano Don Price, da organização de pesquisa científica e industrial da Mancomunidade Britânica."É natural olhar para a biologia para tentar entender como este tipo de coisa pode funcionar."FormigasPrice vem estudando o modo como as formigas lidam com danos nelas mesmas e em sua colônia.A partir daí, ele desenvolveu uma gama de "sensores de danos" que podem ser colocados do lado de fora das naves espaciais, como uma espécie de "pele". Milhares desses sensores podem perceber o menor dos distúrbios.Atualmente, cada um deles só pode se comunicar com os sensores ao seu redor, mas Price está trabalhando em uma série de algoritmos que permitiriam aos sensores interagir, fazendo com que o sistema como um todo possa agir como uma colônia de formigas.Para evitar os perigosos passeios espaciais para consertos na nave, Price também está investigando a possibilidade de ter "grupos de pequenos robôs que possam fazer coisas de forma cooperativa e possam fazê-lo como as larvas de formigas, que podem consertar coisas, ou defender seus ninhos".Robôs nadadoresOutras criaturas também estão inspirando o desenho de naves não-tripuladas.Cientistas estão procurando um meio de incorporar o vôo e os saltos na tecnologia espacial, e os esquilos voadores são uma das criaturas que inspiraram o cientista Keith Paskins, da Universidade de Bath, na Inglaterra.Os esquilos têm uma pele presa aos pulsos e calcanhares, que pode ser esticada, funcionando como asas em uma espécie de planador.Eles também parecem ter controle sobre seus vôos, com rápidos movimentos."Se conseguíssemos algo que saltasse, gostaríamos que ele fosse capaz de controlar a si mesmo no ar. Mas o problema com os vôos é que eles gastam muita energia", disse o professor Paskins.Outro cientista da Universidade de Bath, William McGill, estuda a mobilidade do peixe noturno fantasma negro para adaptá-la na criação de robôs que possam nadar para explorar oceanos espaciais, como as luas de Jupiter.Mínimo peso"É uma questão de eficiência", disse ele, "no espaço, trata-se de potência máxima, força máxima, com o mínimo de peso, porque tudo tem que ser mandado de foguete para o espaço"."Se pudermos fazer um sistema de propulsão que seja muitas vezes mais eficiente então precisamos de um motor menor, e menos energia em termos de baterias."Mas segundo o cientista Alex Ellery, as agências espaciais permanecem céticas em relação aos estudos. "Engenheiros espaciais são, por natureza, extremamente conservadores, e não gostam de novidades.""Eles tendem a trabalhar pensando que se algo funcionou no passado, eles querem reutilizá-lo."

Agencia Estado,

31 de outubro de 2005 | 10h52

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