Fósseis humanos da África alteram linha do tempo da humanidade

Nova datação indica que os achados em Sterkfontein são 1 milhão de anos mais antigos do que se pensava inicialmente

Roberta Jansen - O Estado de S.Paulo

Fósseis de antigos ancestrais humanos descobertos há quase um século em uma caverna na África do Sul são 1 milhão de anos mais antigos do que se imaginava, atesta um novo estudo publicado esta semana na PNAS. A nova datação altera a linha do tempo da Humanidade.

A nova análise dos fósseis encontrados nas Grutas de Sterkfontein, em Johannesburgo, revelou que eles têm entre 3,4 e 3,6 milhões de anos. A descoberta sugere que hominídeos já existiam no Sul da África ao mesmo tempo que andavam também pela África Oriental – caso de Lucy, o australopiteco de 3,2 milhões de anos, considerado até agora o mais antigo já encontrado, descoberto na Etiópia, em 1974. Já há algum tempo, a África Oriental era considerada o mais provável local de origem dos humanos modernos. O novo estudo reacende o debate.

Achados indicam que África têm 1 milhão de anos a mais do que se pensava. Foto: Jason Heaton e Ronald Clarke em cooperação com Museu de História Natural Ditsong

Grutas

Centenas de fósseis de australopitecos foram encontrados nas Grutas de Sterkfontein; um sítio arqueológico considerado patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e conhecido como “berço da Humanidade”. Neste lugar, explorado desde 1936, foram achados os primeiros fósseis adultos de australopitecos. Entre eles os de Mrs. Ples e Little Foot (pé pequeno).

Continua após a publicidade

As grutas têm mais fósseis de australopitecos do que qualquer outro sítio conhecido, segundo Darryl Granger, da Universidade de Purdue, principal autor do novo estudo. No entanto, diz ele, é difícil conseguir uma boa datação dos ossos fossilizados dos ancestrais humanos, justamente “porque são muito mais velhos do que imaginávamos originalmente”.

Medição

Desta vez, os pesquisadores conseguiram medir a queda dos níveis de radioatividade de alguns isótopos raros nas rochas enterradas nas mesmas camadas geológicas dos fósseis. Anteriormente, os fósseis haviam sido datados com base em depósitos de calcita – uma técnica menos precisa. Ao que tudo indica, esses depósitos teriam se formado depois da fossilização dos ossos.

Importância

A nova datação dos fósseis ajuda os cientistas a compreender como e onde os humanos modernos surgiram, como se adaptaram aos ecossistemas dominantes e quem eram seus parentes mais próximos. “Essa nova datação comprova que alguns dos mais interessantes fósseis da evolução humana, entre eles um dos mais icônicos da África, o de Mrs. Ples, são 1 milhão de anos mais antigos; ou seja, da mesma época de um outro fóssil igualmente icônico, o de Lucy”, afirmou o pesquisador Dominic Stratford, diretor de pesquisa das cavernas e um dos autores do novo estudo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Fósseis humanos da África alteram linha do tempo da humanidade

Nova datação indica que os achados em Sterkfontein são 1 milhão de anos mais antigos do que se pensava inicialmente

Roberta Jansen - O Estado de S.Paulo

Fósseis de antigos ancestrais humanos descobertos há quase um século em uma caverna na África do Sul são 1 milhão de anos mais antigos do que se imaginava, atesta um novo estudo publicado esta semana na PNAS. A nova datação altera a linha do tempo da Humanidade.

A nova análise dos fósseis encontrados nas Grutas de Sterkfontein, em Johannesburgo, revelou que eles têm entre 3,4 e 3,6 milhões de anos. A descoberta sugere que hominídeos já existiam no Sul da África ao mesmo tempo que andavam também pela África Oriental – caso de Lucy, o australopiteco de 3,2 milhões de anos, considerado até agora o mais antigo já encontrado, descoberto na Etiópia, em 1974. Já há algum tempo, a África Oriental era considerada o mais provável local de origem dos humanos modernos. O novo estudo reacende o debate.

Achados indicam que África têm 1 milhão de anos a mais do que se pensava. Foto: Jason Heaton e Ronald Clarke em cooperação com Museu de História Natural Ditsong

Grutas

Centenas de fósseis de australopitecos foram encontrados nas Grutas de Sterkfontein; um sítio arqueológico considerado patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e conhecido como “berço da Humanidade”. Neste lugar, explorado desde 1936, foram achados os primeiros fósseis adultos de australopitecos. Entre eles os de Mrs. Ples e Little Foot (pé pequeno).

Continua após a publicidade

As grutas têm mais fósseis de australopitecos do que qualquer outro sítio conhecido, segundo Darryl Granger, da Universidade de Purdue, principal autor do novo estudo. No entanto, diz ele, é difícil conseguir uma boa datação dos ossos fossilizados dos ancestrais humanos, justamente “porque são muito mais velhos do que imaginávamos originalmente”.

Medição

Desta vez, os pesquisadores conseguiram medir a queda dos níveis de radioatividade de alguns isótopos raros nas rochas enterradas nas mesmas camadas geológicas dos fósseis. Anteriormente, os fósseis haviam sido datados com base em depósitos de calcita – uma técnica menos precisa. Ao que tudo indica, esses depósitos teriam se formado depois da fossilização dos ossos.

Importância

A nova datação dos fósseis ajuda os cientistas a compreender como e onde os humanos modernos surgiram, como se adaptaram aos ecossistemas dominantes e quem eram seus parentes mais próximos. “Essa nova datação comprova que alguns dos mais interessantes fósseis da evolução humana, entre eles um dos mais icônicos da África, o de Mrs. Ples, são 1 milhão de anos mais antigos; ou seja, da mesma época de um outro fóssil igualmente icônico, o de Lucy”, afirmou o pesquisador Dominic Stratford, diretor de pesquisa das cavernas e um dos autores do novo estudo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Atualizamos nossa política de cookies

Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.