Fósseis no canal do Panamá dão pista sobre formação da América

Fósseis com mais de 20 milhõesde anos encontrados por cientistas no Panamá podem explicarcomo e quando as Américas se uniram. Geólogos do Instituto Smithsonian, dos EUA, que tem umabase permanente no Panamá, disseram que mais de 500 fósseisforam achados por engenheiros que escavam para alargar o canaldo Panamá. Entre as peças há ossos e dentes de roedores, cavalos,crocodilos e tartarugas que viveram antes que surgisse um istmoentre as Américas do Norte e do Sul. "Com essas descobertas poderemos obter mais informaçõessobre o processo pelo qual a ponte terrestre contínua seformou", disse o geólogo Camilo Montes, do Smithsonian, àReuters. A convite do governo local, geólogos acompanham desdefevereiro a ampliação do supersaturado canal, uma obra de 5,25bilhões de dólares. Os cientistas acreditam que as placas tectônicas da Américado Sul e do Caribe se chocaram há cerca de 15 milhões de anos,provocando uma atividade vulcânica que acabou formando o istmocentro-americano e separando os oceanos Atlântico e Pacífico. Há cerca de 3 milhões de anos essa ponte provavelmente jáestava completamente formada, permitindo que mamíferospassassem de um lado para outro. Comparando as descobertas do Panamá com registros fósseisde cada continente, os paleontólogos esperam determinar de ondecada espécie veio. Vestígios vulcânicos incrustados na mesmacamada de rocha dos fósseis ajudarão a indicar a época em quedeterminado animal era achado em cada lado da ponte. A união das Américas propiciou uma migração em massa deanimais, enquanto a separação dos oceanos transformou o climaglobal e provocou o surgimento de novas espécies. Montes disse que descobrir exatamente quando isso aconteceupode ser essencial para entender a ligação entre as grandesmudanças nas correntes oceânicas e o nosso clima, esclarecendoalgumas questões ligadas ao aquecimento global. "O fechamento (do istmo) pode estar ligado a uma eraglacial que afetou a América do Norte mais ou menos ao mesmotempo, talvez alterando as correntes oceânicas", disse Montes. "Alguns já argumentaram que o momento da era glacial foiuma coincidência. Uma linha do tempo mais precisa para ofechamento pode nos dizer se essas duas coisas estavamseparadas ou vinculadas."

ANDREW BEATTY, REUTERS

17 de julho de 2008 | 19h24

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