Fósseis sugerem que a Antártida já foi muito mais quente

Descoberta tem implicações para o estudo da evolução da calota polar e da mudança climática

Efe

22 de julho de 2008 | 19h54

Um novo fóssil descoberto na Antártida indica que essa região foi, há milhares de anos, mais quente do que é agora, o que tem implicações para o estudo da evolução da calota polar e da mudança climática.  A descoberta, divulgada nesta terça-feira, 22, na revista britânica Proceedings of the Royal Society B, foi feita por um grupo de cientistas de várias universidades do Reino Unido e dos Estados Unidos, na zona do Vales Secos do leste do continente Antártico.  Os fósseis, um tipo de ostracodo (pequenos crustáceos com aspecto de concha), vêm de um antigo lago de 14 milhões de anos, e estão bem conservados em três dimensões, inclusive suas partes moles, disseram os cientistas.  O professor Mark Williams, do departamento de geologia da universidade inglesa de Leicester, afirmou que a existência desse tipo de fósseis, até agora desconhecidos, na Antártida, demonstra que essa zona do planeta já foi mais quente que hoje em dia.  "A presença de ostracodos de lago nesse latitude, de 77 graus ao sul, é notável", disse.  "As condições atuais na região da Antártida oferecem temperaturas anuais de 25° abaixo de zero, condições impossíveis para que subsista uma fauna de ostracodos em um lago", observou.  Portanto, continua Williams, a descoberta desses fósseis demonstra que houve um resfriamento "substancial e muito intenso" do clima antártico, o que é um dado "importante para traçar a evolução da calota polar, um fator chave para entender os efeitos do aquecimento global." Segundo o cientista, os ostracodos nos Vales Secos - chamados assim por seu baixo índice de umidade e ausência de gelo - demonstram a existência de um lago em alta altitude, com condições ótimas para a colonização animal.  Por sua vez, isso significa que houve "uma mudança drástica" do clima na região, "de condições de tundra há 14 milhões de anos para o clima continental muito frio de hoje", disse Williams.  Os especialistas advertem que essa descoberta não implica a existência de uma fauna muito extensa de ostracodos nos lagos da Antártida. O mais provável, dizem, é que sua introdução tenha sido casual, através dos pássaros migratórios que podem ter depositado ovos presos em suas patas ou penas.  Os ostracodos antárticos foram descobertos por Richard Thommasson durante uma análise de sedimentos em laboratório do professor Allan Ashworth na Universidade da Dakota do Norte, nos Estados Unidos, diz a revista.

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