Fracassa tentativa brasileira de fazer clone de clone

Não deu certo a primeira tentativa no Brasil de fazer um animal clonado a partir de outro clone. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou nesta terça-feira a morte de duas bezerras clonadas a partir de células retiradas da pele da orelha da novilha Vitória, de dois anos, que, por sua vez, também é um clone.Nascida em 16 de março de 2001, ela foi o primeiro animal clonado na América Latina. Apesar do insucesso da experiência, o pesquisador Rodolfo Rumpf, do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargem), ?pai de Vitória?, garante que a morte das duas bezerrinhas não tem, a princípio, nada a ver com falhas na técnica de clonagem.?Foi uma fatalidade?, disse. ?Uma delas morreu por causa de problema na gestação de sua mãe de aluguel, e a outra, de pneumonia.? Segundo Rumpf, uma das bezerrinhas nasceu no dia nove de abril de parto cesariano, após nove meses de gestação (período normal dos bovinos). ?Aparentemente ela era normal e completa?, contou. ?No processo do parto, no entanto, ela inspirou líquido do útero, o que causou uma pneumonia à qual não resistiu, vindo a morrer 36 horas após o nascimento.?No caso do outro clone, o problema ocorreu com a mãe de aluguel. A vaca apresentou um problema aos oito meses de gestação, conhecido com hidropsia dos envoltórios fetais (retenção de líquido na placenta e no útero), doença que ocorre naturalmente em rebanhos, porém com uma incidência bem menor do que a registrada em gestações de clones.?Tivemos que fazer uma de intervenção cesariana?, explica Rumpf. ?Encontramos o feto já morto. Uma avaliação preliminar, no entanto, mostrou que também esse clone era normal e completo.?De acordo com Rumpf, a tentativa de fazer um clone a partir de outro faz parte das pesquisas do Cenargen. Vitória foi clonada a partir de células embrionárias. Com essa nova experiência, os pesquisadores queriam estudar outra técnica de clonagem, que é a que usa células adultas.?Além disso, queríamos testar a estabilidade genética de Vitória?, diz. Para saber exatamente o que ocorreu e determinar com precisão a causa mortis dos dois clones, os pesquisadores estão realizando exames nos tecidos das bezerrinhas mortas.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 17h56

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