França e Japão reafirmam apoio ao uso de energia nuclear

Líderes reforçam importância desse tipo de energia no combate ao aquecimento global

AP

11 de abril de 2008 | 16h00

Japão e França concordaram nesta sexta-feira, 11, a cooperar para a promoção do uso pacífico da energia nuclear e para o combate às mudanças climáticas. "Concordamos em trabalharmos juntos em questões globais como a mudança climática e desenvolvimento da África", disse o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, nesta sexta-feira, 11, após conversar durante visita oficial com o primeiro-ministro francês, Francois Fillon. "O Japão vai reforçar a cooperação em energia nuclear com a França", ele disse durante uma conferência de imprensa conjunta. Os dois líderes "nós compartilhamos da idéia de que a energia nuclear vai ter um papel importante para a prosperidade e sustentabilidade do desenvolvimento no século 21", disse uma declaração conjunta sobre uso pacífico de energia nuclear anunciado nesta sexta-feira, 11. Embora reconhecendo a importância da não-proliferação nuclear, proteção e segurança, os líderes disseram na declaração que a energia nuclear tem se tornado cada vez mais importante para garantir a segurança energética global e para conter o aquecimento global. A visita de Fillon marca o 150° aniversário dos laços diplomáticos entre os dois países e vem à frente da reunião do G8 das nações industrializadas no Japão, na qual se espera que os líderes foquem a discussão no aquecimento global. "A reunião vai ser a chance para os países desenvolvidos apresentarem um modelo para o corte nas emissões de CO2, mantendo o desenvolvimento para as nações em desenvolvimento", disse Fillon. Viajando com Fillon ao Japão estava Anne Lauvergeon, presidente da estatal francesa de energia nuclear Areva, que assinou um memorando nesta sexta-feira, 11, com a Mitsubishi Heavy Industry, Chairman Kazuo Tsukuda, para expandir a cooperação entre as duas companhias no negócio de combustíveis para reatores nucleares no Japão. As duas companhias procurarão estabelecer um joint venture para o fornecimento de combustível para reatores nucleares de água pressurizada e de gás, entre outros, disseram as empresas. O presidente da Mitsubishi Heavy, Hideaki Omiya, disse que as empresas esperam que o esforço conjunto possa "contribuir para a sustentabilidade do renascimento nuclear."  As empresas também vão trabalhar juntas para dois novo reatores na África do Sul. O primeiro-ministro francês também vai fazer uma visita à central nuclear da vila de Rokkasho, 600 quilômetros ao norte de Tóquio. A central, que usa tecnologia da Areva, começou testes em março de 2006 e vai, eventualmente, produzir MOX, combustível que mistura urânio e plutônio. A reciclagem é um elemento central nos planos de Tóquio para reduzir sua dependência em importações de energia, construindo reatores mais rápidos, que produzam plutônio que possa ser reaproveitado como combustível.  O Japão, que tem poucos recursos, depende agora da energia nuclear em um terço de suas necessidades energéticas, busca aumentar esse percentual para 40% até 2010. Já a França retira mais de 70% de sua eletricidade de energia nuclear e tem desejado exportar sua tecnologia de produção.

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