FSC certifica floresta comunitária em Xapuri

O primeiro selo verde para um projeto madeireiro comunitário no Brasil será entregue amanhã, em Xapuri, no Acre, para moradores da floresta onde viveu e trabalhou Chico Mendes. A certificação FSC (Conselho de Manejo Florestal), a de maior credibilidade internacional, garante que a madeira foi retirada de forma ambientalmente sustentável, socialmente justa e economicamente viável.O certificado será entregue à Associação dos Moradores e Produtores do Projeto Agroextrativista Chico Mendes, proprietária da floresta, pelo Imaflora, representante no Brasil da Rainforest Alliance - Smartwood Program, certificadora credenciada pelo FSC. A madeira certificada irá abastecer o pólo moveleiro de Xapuri, onde já existe uma indústria de móveis e objetos de madeira certificada, a Aver Amazônia. O processo de certificação contou com apoio do WWF-Brasil, organização não-governamental ambientalista, que cobriu os custos de auditoria e equipamentos, regularização de documentos e capacitação para o manejo conforme os padrões do FSC. ?Nossa colaboração foi da ordem de R$ 30 mil, mas o projeto já vinha caminhando e teve muito mais colaboradores?, explica Luís Menezes, do WWF.Segundo Leônidas Ribeiro, coordenador do Pólo Industrial de Manejo Florestal de Xapuri, a certificação de 900 hectares (ha) de floresta amazônica nativa irá beneficiar 9 famílias da Associação Chico Mendes, no primeiro momento, chegando a 19 famílias até o fim do ano, num total de mais de 130 pessoas. ?O objetivo é conservar a floresta e proporcionar melhor qualidade de vida para os seringueiros tradicionais, que irão complementar a renda obtida com a extração da borracha e a coleta de castanha.?Ribeiro explica que a idéia é atrair os pequenos marceneiros da região para o pólo madeireiro, oferecendo, além de madeira certificada, qualificação profissional. ?Queremos produzir um móvel com melhor acabamento e abastecer o mercado local com produtos de melhor qualidade, além de abrir novas frentes comerciais. Também buscamos concentrar toda a cadeia produtiva na região, trabalhando a madeira, nessa primeira fase, e mais tarde fazer o mesmo com a borracha e a castanha?.A expectativa é que o pólo madeireiro crie entre 50 e 100 empregos diretos em Xapuri neste primeiro ano. Ribeiro conta que o pólo industrial irá absorver toda a produção da Associação Chico Mendes, que deve chegar a 500 m3 em 2002. ?Em 2001, foram extraídos somente 21 m3 de madeira, mas era uma fase experimental, para a elaboração do projeto de certificação?, conta Ribeiro. As principais espécies de árvores colhidas nessa floresta são cedro, breu, marçaranduba, cumaru ferro, tauari e louro abacate.Projeto socialO Brasil possui hoje 1.157.465 ha de florestas certificadas, sendo 333.313 ha de floresta amazônica nativa e o restante de plantações (reflorestamento), além de uma pequena área de mata atlântica nativa. O selo FSC é muito valorizado nos mercados europeu e norte-americano e significa um passaporte para a exportação.Walter Suiter, secretário-executivo do FSC no Brasil, conta que existem atualmente mais 8 projetos comunitários em processo de certificação no País - 2 no Acre, 2 em Rondônia, 2 no Pará e 2 no Amapá. ?A diferença entre os projetos empresariais e os comunitários é o alcance social, pois nestes últimos a comunidade vai desfrutar mais diretamente das vantagens econômicas da certificação.?Segundo Suiter, mesmo sendo empreendimentos menores, os projetos comunitários estão sujeitos às mesmas exigências dos empresariais. ?O impacto ambiental dos grandes empreendimentos e maior, mas a certificação dos projetos comunitários é importante para que possam competir em igualdade de condições no mercado?, diz.

Agencia Estado,

25 de março de 2002 | 15h54

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