REUTERS/Pierre Albouy
REUTERS/Pierre Albouy

Fuinha paralisa acelerador de partículas de 27 km de extensão

Animal causou interrupção das operações após mastigar cabo de alta tensão em parte do equipamento localizada perto de Genebra

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2016 | 20h42

Maior, mais complexo e mais caro dos instrumentos científicos já construídos, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), foi temporariamente desligado nesta sexta-feira, 29, por causa de uma fuinha.

De acordo com o porta-voz do LHC, Arnaud Marsollier, o animal causou a interrupção das operações após mastigar um cabo de alta tensão de um transformador em uma parte do equipamento localizada perto de Genebra, na Suíça. 

O LHC é um acelerador de partículas com 27 quilômetros de extensão, construído no subsolo, entre a França e a Suíça, para realizar pesquisas em física de partículas. Construído pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês), o LHC levou mais de 10 anos e custou mais de US$ 7,5 bilhões. 

Segundo Marsollier, “a fuinha morreu na hora e sobraram poucos restos dela”. Um relatório publicado na tarde desta sexta pelo LHC revela que a fuinha foi fulminada com um choque de mais de 66 mil volts.

Marsollier revelou ao jornal britânico The Independent que as operações do LHC foram suspensas porque, ao invadir o transformador, que é um dos componentes de alimentação da máquina, o animal desencadeou um curto-circuito e uma “severa queda de energia elétrica” nas primeiras horas da madrugada desta sexta.

Segundo Marsollier, o LHC estava em pleno funcionamento quando aconteceu o incidente. O acelerador estava coletando novos dados sobre o bóson de Higgs, uma partícula fundamental descoberta em junho de 2012 e apelidada de “partícula de Deus”. O equipamento tem a função de colidir partículas no nível mais alto de energia já atingido, a fim de simular as condições presentes na época do nascimento do Universo, há quase 14 bilhões de anos.

Marsollier afirmou, no entanto, que a fuinha não entrou nos túneis que compõem o laboratório, apenas nas instalações elétricas. Segundo o porta-voz, serão necessários alguns dias para que os técnicos do LHC consertem os danos causados pela fuinha, mas o equipamento não teve danos graves e logo as operações poderão ser retomadas.

“O LHC foi desenhado, evidentemente, para lidar com cortes de energia”, afirmou.

Pedaço de pão. O incidente remete aos relatos de um corte de energia no LHC em 2009, quando um pássaro em voo deixou cair um pedaço de pão sobre a máquina. O LHC ficou mais de um ano parado por causa de uma grave avaria ocorrida dez dias depois de começar seus trabalhos, em setembro de 2008, e o incidente com a ave quase atrasou a retomada das operações.

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